Ruy Ohtake projeta o Laboratório de Inovação e Empreendedorismo da USP | PiniWeb

Arquitetura

Ruy Ohtake projeta o Laboratório de Inovação e Empreendedorismo da USP

Concebido como um ambiente aberto, novo edifício de cerca de 9 mil m² será em estrutura metálica e terá revestimento em placas pré-moldadas de concreto, revestidas com ACM colorido

Rodrigo Louzas
15/Abril/2013

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e a Fundação para o Desenvolvimento da Engenharia (FDTE) apresentaram na semana passada o projeto do Laboratório de Inovação e Empreendedorismo, que será construído na Cidade Universitária. O projeto arquitetônico é de Ruy Ohtake.

Divulgação: FTDE

"Procuramos uma expressão arquitetônica que manifeste os propósitos do Edifício Inova Poli. Desenho arrojado e inovador, contemporâneo e comprometido com a perenidade", diz o memorial descritivo do laboratório. O espaço, que terá aproximadamente nove mil m² e capacidade para 750 alunos, ficará entre os prédios da Administração e da Engenharia Civil, onde hoje se localiza o estacionamento.

O laboratório abrigará oficinas, como as de usinagem, soldagem, pintura, eletrônica e impressoras 3D, 400 estações individuais de trabalho, área administrativa, cafeteria e livraria. O edifício contará ainda com um auditório para eventos acadêmicos e um espaço para exposição dos projetos que visa ajudar os alunos a buscarem patrocínio para suas inovações.

O programa é distribuído em quatro pavimentos, além do térreo. Os módulos de oficinas terão pé direito duplo, ocupando o térreo e o 1º andar. Já no 2º andar estarão as salas de aula e, no 3º pavimento, as salas de projeto. No 4º andar ficará o auditório para 450 pessoas, que pode ser dividido em três salas menores, dependendo do uso.

O edifício é cortado por um corredor longitudinal, sendo que de um lado estão as salas de aula, de projeto e as oficinas modulares e, do outro, as salas de reunião, sanitários/vestiários, serviços, escadas e elevadores. Para "quebrar a continuidade excessiva", o arquiteto projetou um a hall com desenho curvo de 24m de comprimento, no centro do corredor.

Outra área de destaque do Laboratório de Inovação e Empreendedorismo é a sua entrada, que abriga um espaço de exposições, chamado de praça, para apresentar, discutir e evoluir os trabalhos dos alunos da escola. "Essa praça organizada por dois painéis de vidros planos, em dois tons de azul transparente, facetados para possibilitar curvas desejadas", explica o memorial. A cobertura da praça é em vidro semi-transparente com butiral anti-térmico.

Já a vedação externa do prédio será composta por placas pré-moldadas de concreto leve, revestidas de alumínio ACM, e vidro com caixilhos horizontais na fachada. A cobertura de todo o laboratório será feita com telhas metálicas zipadas com proteção termoacústica.

O edifício será construído em estrutura metálica, com 16 vãos longitudinais de oito metros cada e dois vãos transversais, sendo um de 11,25m e outro de 7,70m, totalizando 18,95 m.

Na área externa, são previstos três estacionamentos para visitantes, fronteriços à fachadas oeste, norte e leste, além de outros três estacionamentos para carga e descarga de caminhões, sendo um junto ao acesso de serviços e os dois em cada extremidade dos módulos das oficinas. As áreas terão uma árvore a cada três vagas, segundo o projeto. 

Sustentabilidade

Algumas questões ligadas à sustentabilidade também foram incluídas no projeto. Na área restante do 4º andar, que abriga o auditório, será instalado 600 m2  de placas de captação de energia solar, que pelo estudo preliminar poderá economizar de 15 a 20% de energia, desde que as condições climáticas sejam favoráveis.

Além disso, a reutilização da água está prevista através da captação da água de chuva na cobertura e no terraço superior do edifício. Outro sistema consiste na captação do esgoto secundário com redes independentes dirigido à ETAC (Estação de Tratamento de Águas Cinzas) e dessa dirigido para o reservatório de reuso, com sistema próprio de tratamento de água cinzas, dentro dos critérios estabelecidos pelas normas de sustentabilidade.

O escritório de Ruy Ohtake foi escolhido após uma seleção feita pela FDTE, com a participação de oito escritórios convidados. O arquiteto vencedor trabalha atualmente na elaboração do projeto executivo de arquitetura e na coordenação dos demais projetos executivos complementares, que devem ser apresentados em agosto.

Divulgação: FTDE
Divulgação: FTDE