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Centro de Cultura Judaica

14/Abril/2003

A Torah foi o ponto de partida de Roberto Loeb para a criação do Centro da Cultura Judaica, em São Paulo, obra que reflete a diversidade cultural da cidade. O edifício foi implantado em um terreno público localizado na região de Pinheiros, cuja concessão era condicionada à construção de um espaço ligado à cultura e aberto a toda a população.
ARQUITETURA
Centro de Cultura Judaica
Projeto de Roberto Loeb, o Centro da Cultura Judaica reflete a diversidade cultural de São Paulo. Os traços de forte influência do movimento moderno e a sinuosidade típica da produção brasileira deram forma ao edifício inspirado na Torah, o livro sagrado do judaísmo

Para Roberto Loeb, projetar o Centro da Cultura Judaica, em São Paulo, teve dois significados de singular valor. Além da oportunidade de erigir um marco arquitetônico na cidade, o arquiteto enxergou a possibilidade de homenagear seus antepassados. Com toda essa carga de emoção e respeito, foi concebido o edifício composto por duas torres cilíndricas de concreto separadas pela fachada sinuosa de 30 m de extensão, em uma clara referência ao pergaminho da Torah, o livro sagrado dos judeus.

O edifício foi implantado em um terreno público localizado na região de Pinheiros, em São Paulo, cuja concessão era condicionada à construção de um espaço ligado à cultura e aberto a toda a população. Com inauguração marcada para abril, o prédio irá abrigar a sede própria da Casa de Cultura de Israel. "A entidade depende de doações", explica Loeb, "por isso, a obra levou quase oito anos para ficar pronta, entre estudos preliminares, fundações e construção."

As referências usadas por Loeb - a Torah e as premissas do movimento moderno brasileiro - colaboraram para envolver a comunidade no sentido de apoiar, participar e identificar-se com a obra. "Algumas pessoas ficaram fascinadas com a idéia da Torah, outras gostaram da sinuosidade", diz Loeb. O arquiteto afirma, entretanto, que o partido é de arquitetura contemporânea, livre de qualquer forma de associação direta ou simbolismo. "Na verdade, o prédio tem uma forma geométrica livre, muito ligada à tradição da arquitetura brasileira, em especial à de Oscar Niemeyer e da Escola Paulista, com a qual me identifico", esclarece o autor.

Embora Loeb tenha agarrado a oportunidade de criar uma obra que marcasse a cidade, sua atitude em relação ao entorno é bastante ponderada. "O arquiteto tem uma posição técnica, cultural, poética e de responsabilidade social", declara. Loeb defende que não basta para o arquiteto fazer uma obra correta: é preciso assumir sua responsabilidade com a cidade, com a paisagem. "Nós influímos no cenário urbano", diz, enfatizando sua postura contrária ao uso pragmático da arquitetura, sem nenhuma consideração com a paisagem.

Loeb conta que definiu um programa básico, com teatro, auditório, salas de aula, salão de exposições e administração. "O terreno é muito interessante em termos visuais, pois está no alto da região da Paulista, de onde se enxerga boa parte da cidade", conta. Para explorar essas visuais, Loeb definiu fachadas de vidro nas duas faces do prédio.

A circulação do ar foi resolvida com a instalação de vidro em tom fumê em um brise-soleil, cuja estrutura está presa em um grande pergolado de concreto de forma curva. Esta estrutura permite a entrada de luz, filtra a insolação, facilita a circulação de ar e não impede a contemplação da paisagem. "A função do pergolado é atuar como uma tela de proteção térmica e visual, que impede a incidência direta do sol, além de criar uma corrente de ar ascendente que ventila constantemente a fachada", explica Loeb.


Além de estar muito próximo das obras do metrô, a localização do terreno exigiu recuos bastante restritivos. "Por isso, para conseguir melhor aproveitamento do espaço, o prédio foi implantado praticamente na diagonal", explica Loeb. O arquiteto conta ainda que foi preciso manter um talude interno por causa das escavações. Esse talude, na verdade a parede de contenção junto à avenida Dr. Arnaldo, foi revestido com lâminas de arenito vermelho na porção entre o piso térreo e o subsolo. Loeb diz que teria ganho mais espaço se a escavação tivesse sido feita na vertical, "mas a estrutura ficaria muito cara e complicada", explica. O arquiteto considera a solução adotada bastante bem-sucedida do ponto de vista estético, visto que proporcionou uma paisagem rústica ao interior do prédio.

O Centro da Cultura Judaica tem, no pavimento térreo, galeria de exposições, cafeteria e auditório para 100 pessoas. Um andar intermediário acomoda um salão de 270 m2, área de reuniões e mezanino. Nos outros dois pisos funcionarão a administração e setor de cursos. A cobertura recebeu a área de eventos e a cozinha experimental, ainda em fase de instalação. Há ainda um subsolo. A circulação vertical, escadas e elevadores foram dispostos nas torres cilíndricas, que também concentram toda a infra-estrutura técnica e os sanitários.

Texto original de Vânia Sliva
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