Com relação à confecção de blocos vazados de concreto simples, gostaria de saber:1) Traço ideal (para blocos sem e com função estrutural); 2) Classificação da areia (fina, média, grossa); 3) Fator água/cimento 4) Processo de cura; 5) Alternativa... | PiniWeb

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Com relação à confecção de blocos vazados de concreto simples, gostaria de saber: 1) Traço ideal (para blocos sem e com função estrutural); 2) Classificação da areia (fina, média, grossa); 3) Fator água/cimento 4) Processo de cura; 5) Alternativa...

12/Dezembro/2000
Com relação à confecção de blocos vazados de concreto simples, gostaria de saber:
1) Traço ideal (para blocos sem e com função estrutural); 2) Classificação da areia (fina, média, grossa); 3) Fator água/cimento 4) Processo de cura; 5) Alternativa para o aglomerado (chapisco, pó de pedra etc.); 6) Aditivos para melhorar a qualidade; 7)Traço e materiais para assentamento;
8) A diferença para blocos sem e com função estrutural está só no traço? Se não, quais essas diferenças?
Pergunta elaborada por Edmundo José Santos Freitas(Ilhéus-BA); Resposta de referência por Carlos Eduardo de Siqueira Tango( IPT-Divisão de Engenharia Civil); Palavras-chave: alvenaria, blocos de concreto, aditivos, dosagem, traços, IPT; Abordagem(ns): Concretos, Qualidade dos materiais
Pode-se até escrever um compêndio com amplitude atingida pelo número de questões, mas somos obrigados a resumir:

1) Traço ideal: não se deve usar receitas prontas mas fazer uma dosagem experimental com os materiais disponíveis - veja a publicação IPT no 1744 sobre blocos de concreto;

2) Pode-se usar uma areia com qualquer graduação, atendendo à EB-4 da ABNT, desde que se faça a dosagem experimental; havendo disponibilidade de diversas areias, deve-se fazer dosagens comparativas. Normalmente as areias mais finas levam a maior consumo de cimento, entretanto podem ser necessárias para atender a certos requisitos de textura dos blocos ou para melhorar a coesão das partículas quando os blocos ainda estão frescos;

3) O fator água/cimento, se mantido o traço do concreto constante, deve ser o maior possível (ao contrário do que acontece nos concretos plásticos, o concreto para blocos não obedece à lei de Abrams!). Se o fator água/cimento estiver alto demais, o concreto ficará muito mole e será difícil de desformar;

4) Processo de cura: os blocos têm de ficar intactos, num ambiente saturado de umidade, durante um tempo suficiente para que possam ser manuseados e empilhados. Se for possível que o ambiente seja aquecido (cura a vapor) há limitações da velocidade de aquecimento e resfriamento para não trincar os blocos por choque térmico, além de a temperatura máxima não poder passar de 80oC. Os blocos não devem ser curados sem proteção do sol e do vento, grandes causas de evaporação da água, que é o agente do endurecimento do cimento;

5) O pedrisco deve ser usado como agregado graúdo; o pó de pedra, a areia ou suas misturas são encaradas como alternativas para as dosagens experimentais e posteriores comparações custo versus benefícios;

6) Aditivos, na maior parte dos casos, não são empregados na fabricação de blocos. Nada impede de se fazerem dosagens experimentais para verificação do desempenho usando óxidos minerais como corantes, agentes de desfôrma etc. Os aceleradores de endurecimento geralmente são à base de cloretos e podem causar corrosão das armaduras ou das peças metálicas que serão embutidas na alvenaria, por difusão; portanto, devem ser tratados com muita cautela. O fornecedor do aditivo deve dar garantia contra efeitos secundários indesejáveis;

7) Traço e materiais para assentamento: segundo o "Manual Técnico de Alvenaria" (ABCI, 1990, pág. 164) em argamassas para alvenarias não estruturais, para locais abrigados pode-se empregar traço (cimento: cal hidratada: areia) 1,0 : 1,0 : 6,0 a 8,0; para locais sujeitos à umidade intermediária, traço 1,0 : 0,5 : 4,5 a 6,0 e para locais sujeitos à molhagem constante e umidade intensa, traço 1,0 : 0,2 : 3,6 a 4,8. Em nenhum caso a relação água/cimento deve ultrapassar 0,8 kg/kg. Para argamassas de alvenarias estruturais, o traço deve ser dosado experimentalmente;

8) Além do traço, há diferenças geométricas entre os blocos estruturais e os de vedação (exemplo: espessura das paredes dos blocos). As especificações brasileiras NBR 6136 e NBR 7173 tratam do assunto detalhadamente.