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Conheça os vencedores do Prêmio Aga Khan de Arquitetura

14/Setembro/2007
Premiação
Conheça os vencedores do Prêmio Aga Khan de Arquitetura
Oferecido a cada três anos pelo líder ismaelita Aga Khan, contempla a obras de arquitetura destinadas às comunidades islâmicas

O Prêmio Aga Khan de Arquitetura, oferecido a cada três anos pelo líder ismaelita Aga Khan, contempla a obras de arquitetura destinadas às comunidades islâmicas. A cerimônia aconteceu em 4 de setembro, em Kuala Lampur, capital da Malásia. Foram premiadas nove obras, dos 343 projetos apresentados (veja lista). O objetivo é valorizar edifícios, pequenos ou monumentais, que se destinam ao habitat social, à melhoria de vida da população mais pobre, à restauração e preservação de sítios históricos e do meio ambiente. Instituído há 30 anos, comemorando, portanto, em 2007 sua 10a edição, o Prêmio Aga Khan oferece US$ 500 mil aos vencedores, escolhidos por um júri internacional, que ocorre em locais diferentes a cada edição.

Projetos Premiados:




Jardim Samir Kassir - Beirute, Líbano
Arquiteto e paisagista: Wladmir Djurovic (radicado no Líbano). Espaço acolhedor situado no centro de negócios da cidade, composto por duas velhas árvores de fícus, um lago alimentado por uma fonte de água em cascata, uma plataforma de madeira e um banco de pedra engastado nas árvores, cercado de ameixeiras anãs. Com 815 m2 , economia de elementos e de linguagem, o jardim contrasta com aqueles elaborados sem raízes locais, indicando uma nova abordagem para o paisagismo.





Mercado Central de Koudougou - Burkina Faso
Intervenção simples com material tradicional (terra estabilizada em forma de blocos), revelando seu potencial estético por meio de abóbadas, cúpulas e arcos que sustentam largas traves estruturais, criam um espaço importante de trocas econômicas e cívicas. A comunidade participou da escolha do local, do projeto e da construção da obra. O prêmio será dividido entre a municipalidade de Koudougou, a Agência Suíça de Desenvolvimento e Cooperação (SDC) e o arquiteto Laurent Séchaud.




Torre residencial Moulmein Rise - Singapura
Projeto de Woha Architects-Wong Mun Summ e Richard Hassell. A particularidade desse imóvel, situado em região tropical, reside no sistema de controle da temperatura sem meios mecânicos.O projeto reinterpreta elementos tradicionais de janelas e balcões, emprega paredes perfuradas, estabelecendo uma relação entre os diferentes volumes para otimizar a circulação do ar, mas não da água, e distribui os espaços interiores e sombreamento. O sistema modular regula desde a altura dos pisos até os menores detalhes. O projeto permite variações nas plantas e nas fachadas dos 28 pisos, segundo cada usuário.






Universidade Tecnológica Petronas - Tronoh, Malásia
Arquitetura: Foster + Partners. Situada em um terreno montanhoso a 300 km de Kuala Lampur, a universidade se adapta ao clima e à paisagem, seguindo uma geometria radial. O edifico principal, metáfora de um guarda-sol, tem cobertura de forma arredondada, suspensa por colunas metálicas, que protege espaços de passagem e cria zonas bem definidas para funções sociais e de circulação. A fim de preservar a topografia, os edifícios acadêmicos se situam na base das colinas, acomodando-se nelas. O projeto, com acabamento meticuloso, marca a grande colaboração entre duas práticas arquitetônicas diferentes, promovendo transferência de conhecimentos e de tecnologias. Constitui também um exemplo em termos de qualidade, sem custos exagerados. É instrutivo, esteticamente satisfatório e tecnologicamente inovador.


Reabilitação de vila fortificada, Nicósia - Chipre
Arquitetura: Nicosia Máster Plan Team. Desde 1979, as comunidades cipriotas grega e turca, da Nicósia, tentam recuperar o centro histórico, protegendo seu patrimônio arquitetônico e urbano. Este foi o primeiro e único projeto e representa um esforço fora do comum. Desenvolvido pela ONU, o programa tem como maior objetivo a melhoria das condições de vida dos habitantes. Os trabalhos se estendem pelos dois lados da cidade, com um alto nível de qualidade dos profissionais de restauro e renovação urbana e estreita colaboração entre os membros gregos e turcos da equipe, pertencentes a duas comunidades opostas. Projeto audacioso, utiliza o espaço dividido do centro histórico como fator de motivação para a cooperação e coexistência. As construções recuperadas estão se transformando em cafés, restaurantes e centros culturais. O projeto, segundo o júri, é um exemplo perfeito de como, por meio de tolerância e sensibilidade, os opostos podem se unir para construir um espaço para todos, quaisquer que sejam suas crenças.


Escola em Rudrapur - Bangladesh
Arquitetura: Anna Heringer e Eike Roswag. Construída em quatro meses sem nenhum instrumento, apenas com as mãos, pelos artesãos locais, alunos, pais e professores, supervisionados por profissionais da Alemanha e Áustria. As arquitetas adaptaram seus conhecimentos aos das populações, transmitindo novas técnicas, empregadas depois na melhoria das habitações rurais. A escola faz parte de uma ONG de Bangladesh, que tem por finalidade ajudar as crianças a desenvolverem seu potencial criativo. A construção segue os mesmos princípios, combinando os melhores materiais da região e técnicas de construção mais elaboradas. Terra e palha são usadas com bambus e cordas de nylon para uma construção mais leve e durável. A solução, embora não seja possível em outras partes do mundo islâmico, em razão de cada condição regional, permite a emergência de novos aspectos de projetos com um certo frescor e beleza em espaços coletivos.




Reabilitação da cidade de Shibam - Iêmen
Arquitetos: GTZ Bureau Téchnique e Gophcy Organização Geral para a Preservação das Cidades Históricas). Parte de um projeto de preservação em implantação há duas décadas, é exemplar pela contribuição da comunidade de Shibam, com a Cooperação Técnica Alemã (SDC). Embora tenha importância internacional, a recuperação das construções em terra crua vai além da preservação das casas, criando nova economia para a cidade. Os artesãos locais recebem mais formação com novas técnicas e a agricultura é beneficiada graças à restauração dos antigos canais de irrigação.




Embaixada Real dos Países Baixos - Adis-Abeba, Etiópia
Arquitetos: Dick van Gameren e Bjarne Mastenbroek. Como a embaixada se encontra na periferia urbana de Adis Abeba, em meio a uma floresta de eucaliptos, os arquitetos preservaram a vegetação e a topografia do terreno, assim como a fauna existente. A relação da obra com o entorno reduziu o emprego de ventilação artificial, com melhor aproveitando dos ventos e da insolação. O volume principal segue a encosta no eixo leste-oeste. As paredes e tetos, de cor ocre, em concreto, criam um efeito de gruta, lembrando a arquitetura etíope de pedra talhada, enquanto a cobertura, protegida por espelho dágua, remete à paisagem holandesa. A distribuição dos espaços é simples e contemporânea, dispensando mecanismos de segurança habituais em uma embaixada. A sensibilidade do projeto em relação às funções deve-se a seu caráter rústico, outro elemento da cultura local.




Restauração do Complexo Amiriya - Iêmen
Construído no início do século XVI, o conjunto é constituído por um átrio de orações, de uma escola e dos aposentos privados do sultão que o erigiu. Em 1980, o Amiriya estava em ruínas e demandava um custo muito grande para sua recuperação. Graças ao emprego de métodos antigos de recuperação, das técnicas e materiais da região e do trabalho de cerca de 500 artesãos e artistas iemenitas, conseguiu-se a recuperação da ornamentação original, dos estuques trabalhados, das ricas paredes pintadas a tempera e impermeabilizantes típicos da arquitetura iemenita. O prêmio será destinado à arqueóloga e restauradora iraniana Selma Al-Radi e seu colaborador iemenita Yahya Al Nasiri.

Por Haifa Yazigi Sabbag