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Hipermercados Big, Porto Alegre e São Paulo

21/Dezembro/1998
Empreendimento
Grupo Sonae
Hipermercado
Um dos maiores grupos europeus de distribuição, o português Sonae, tem agressivos planos de expansão no Brasil. O grupo atua no País desde o início da década de noventa, quando fez uma joint venture com a Companhia Real de Distribuição, dona da marca de hipermercados Big, do Rio Grande do Sul. Mais tarde, o grupo português comprou a Real e, em junho de 1998, associou-se à Cândia Mercantil Norte Sul, que tem supermercados em três bairros de São Paulo. O acordo resultou na Sonae Distribuição Brasil. Em operação mais recente, o grupo adquiriu a rede paranaense Mercadorama.
Juntas, as redes Big, Cândia e Mercadorama somam quarenta e sete lojas, empregam doze mil funcionários, mais de mil check-outs e uma área de vendas com cerca de 165 mil metros quadrados. O faturamento estimado para 1998 foi de um bilhão e setecentos milhões de reais. O grupo espera faturar cerca de 3,5 bilhões de reais até 2001. Na Europa, o grupo Sonae administra cinco bandeiras de varejo - de hipermercados a lojas de conveniência - com um total de cento e dezoito lojas. O faturamento do grupo na Europa ultrapassa os dois bilhões de dólares e o número de funcionários chega a dezoito mil.
A pressa do grupo em crescer no Brasil pode ser demonstrada pela velocidade com que foram construídos os dois novos supermercados da marca Big em Porto Alegre. Com cinqüenta e cinco mil metros quadrados de área construída e doze mil de área de venda, o hipermercado instalado no terreno que pertencia ao hipódromo de Cristal foi erguido em cento e vinte dias.
O Big Cristal será uma das âncoras do shopping center que a Multiplan (dona dos shoppings Morumbi, em São Paulo, Park Shopping, em Brasília, e Barra, no Rio de Janeiro, entre outros) construirá no local. A Multiplan é a dona do terreno. O Big Cachoeirinha, no município de mesmo nome da Grande Porto Alegre, tem dezesseis mil metros quadrados de área construída e oito mil de área de venda. Um pouco menor que o Cristal e desprovido de subsolo, o Big Cachoeirinha foi inaugurado sessenta e três dias após o início da obra.
No canteiro do Cristal - O engenheiro José Simão Neto, diretor da Control Tec, empresa contratada pela Sonae para gerenciar as obras, conta que, para viabilizar prazos tão exíguos, houve momentos em que todas as etapas da construção aconteciam ao mesmo tempo. "No pico de construção do Big Cristal chegamos a ter seiscentas pessoas trabalhando em três turnos", diz. A Control Tec trabalhou o tempo todo em dupla com a Engexpor, empresa portuguesa também especializada em gerenciamento de obras.
Os cento e vinte dias de obras do Big Cristal incluíram o preparo do terreno. "Tivemos de trocar trinta por cento do solo porque o terreno era alagado", conta Simão. As fundações do supermercado foram feitas com mil e duzentas estacas de concreto pré-moldadas.
Assim como as fundações, o restante da edificação contou com elementos pré-moldados. "Foi a solução encontrada para cumprir o prazo da obra", justifica Simão. Cláudio Antônio de Oliveira, engenheiro da paranaense Cassol, empresa que forneceu os pré-moldados, conta que a estrutura do Big Cristal foi elaborada em oitenta e cinco dias, consumiu trezentos e quarenta pilares e 672 vigas, além de mais de trinta e cinco mil metros quadrados de lajes protendidas alveolares. Oliveira diz, ainda, que precisou de uma equipe de vinte e cinco operários e cinco guindastes com capacidade entre vinte e quarenta e cinco toneladas para cumprir o prazo.
Segundo Simão, os módulos das colunas do subsolo obedeceram à proporção de oito por oito metros. No térreo, a proporção cresce para dezesseis por trinta e dois. "As medidas servem para proporcionar maior espaço à área de varejo, corredores mais largos e maior conforto", explica.
Defesa do verde - O fechamento lateral da edificação incorpora alvenaria de bloco de concreto. A cobertura foi executada com estrutura metálica treliçada revestida de telhas de chapa galvanizada, do sistema roll on. No piso da área de vendas foi a
plicado granilite de alta resistência. Toda a montagem interna da edificação foi elaborada com equipamentos de transporte vertical e alcance horizontal. "Não havia tempo para a montagem de andaimes", explica Simão. Nos raros casos em que foram utilizados, os andaimes tinham de ser cobertos por telas para evitar a queda de trabalhadores. "A preocupação com segurança no Sul do País é muito rígida", observa Simão.
Como o terreno se situa seis metros abaixo do nível da rua, o desnível foi aproveitado para a construção de dois níveis no subsolo. A parte de estacionamento precisou ser aterrada, o que trouxe uma peculiaridade ao projeto: nos fundos do terreno ficou uma figueira protegida pela prefeitura. Como a árvore não pôde ser derrubada, terminou encaixada entre dois taludes resultantes da terraplenagem do estacionamento.
Acompanhamento diário - A maior parte dos equipamentos que compõe os hipermercados é importada. A seção de frios, por exemplo, foi trazida de Portugal. As gôndolas para disposição das mercadorias são espanholas. O sistema de ar-condicionado, entretanto, foi projetado e executado no Brasil.
José Simão afirma que para assegurar a velocidade da obra, além de todos os equipamentos (gruas, sistemas de transporte) e do sistema construtivo, um controle obsessivo da obra se fez necessário. "Fazíamos reuniões diárias com todos os engenheiros residentes de cada empresa envolvida. Daí, estabelecíamos as metas e as tarefas a serem concluídas naquele dia", explica. Para facilitar o controle das tarefas, a equipe da Control Tec contou com o know-how da parceira Engexpor, que trouxe um software elaborado pelos portugueses e, há muito tempo, em uso na Europa. "A ferramenta possibilita saber quanto é possível realizar, por dia, em metros", conta Simão n

Megaofensiva do português Sonae
O grupo português Sonae chegou de mansinho ao varejo brasileiro, há três anos, e permaneceu quase incógnito como sócio da gaúcha Companhia Real de Distribuição. Em 1998, porém, virou uma estrela no setor de supermercados, graças à agressividade na expansão. Enganou-se, no entanto, quem imaginava que, depois de duas aquisições (Cândia e Mercadorama) e quatro hiper-mercados construídos, o Sonae perderia fôlego em 1999. A companhia está destinando cem milhões de reais no este ano para a expansão das redes atuais e construção de um megacentro de distribuição na Região Metropolitana de São Paulo. A rede não descarta, também, novas regiões do Brasil. "Vai chegar o tempo de subir um pouco", afirma o presidente do grupo José Baeta Tomas, referindo-se ao mapa geográfico brasileiro.
(Gazeta Mercantil, 10/12)
Em 92 dias
Em São Paulo, a curitibana Thá, apesar dos percalços, põe o pé no acelerador e entrega o Big Cândia em prazo recorde

A exemplo das outras obras feitas para o grupo Sonae, o Big Cândia, em São Paulo, foi construído a toque de caixa. Dessa vez, a obra gerenciada pela empresa paulistana Engineering ficou a cargo da construtora Thá, de Curitiba, e tem mais de vinte e sete mil metros quadrados de área construída, com cerca de oito mil de área de venda. João Domingos de Ramos Filho, coordenador da Thá, conta que a maior dificuldade em cumprir o prazo contratual de noventa e dois dias foi a interface com a demolição de uma fábrica de papel que ocupava o terreno no bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo.
"Ao escavar o terreno, encontramos diversos túneis e lajes de concreto que serviam de base para os fornos da fábrica", lembra Ramos. "Algumas dessas lajes tinham de trinta a quarenta centímetros de espessura e o processo de retirá-las foi bastante complicado." No terreno havia, ainda, um edifício que foi reformado pela construtora e serve à administração do hipermercado.
Superado esse obstáculo, foram feitas as fundações pelo sistema de hélice contínua. A edificação tem pilares, vigas e lajes de concreto pré-moldado. O fechamento foi executado com blocos de concreto e a cobertura apresenta estrutura treliçada e telhas de metal,
ambas produzidas e instaladas pela Medabil. Ocorre que, assim como nas obras do Big Cristal e do Big Cachoeirinha, o prazo exíguo determinou a vasta utilização de sistemas pré-fabricados.
Pelo lado de fora, as paredes do Big Cândia foram revestidas de Grafiato: uma massa acrílica fabricada pela Reveplast. Por dentro, as paredes apresentam pintura sobre bloco ou sobre emboço. Na área de vendas foi aplicado marcopiso, produto feito de granilite prensado em lajotas de quarenta por quarenta centímetros. O mate-rial foi fabricado e colocado no Big Cândia pela Tecnogran, empresa de Curitiba. No estacionamento, que tem cerca de novecentas vagas, o piso de concreto recebeu reforço de fibras de náilon.
Com cento e três anos de atuação em todos os segmentos da construção, a construtora curitibana Thá foi responsável por toda a parte civil da obra do Big Cândia, além de responder por alguns itens de instalação. Nos momentos de pico do trabalho, a número de funcionários próprios da Thá chegou a quatrocentos e cinqüenta. Mais cerca de quatrocentos trabalhadores de empresas contratadas elevou o número de pessoas envolvidas no canteiro a cerca de oitocentos.
Grupo Sonae, multinacional português, compra e expande as redes brasileiras de supermercados, na corrida contra o relógio, em Porto Alegre e São Paulo
Ficha técnica: Big Cristal: projeto básico: engenharia do grupo Sonae; projeto de arquitetura: Roberto Teitelroit; projetos executivos: SPM; gerenciamento: Control Tec/Engexpor; construção civil: Esbel; pré-fabricados: Cassol; instalações elétricas e hidráulicas: Vigor; piso: Tecnopiso; ar-condicionado: Soclan; frio alimentar: Selfrio; cobertura: Medabil: automação comercial: KW - Big Cachoeirinha: projeto básico: engenharia do grupo Sonae; projeto de arquitetura: Marco Engenharia; projetos executivos: SPM; gerenciamento: Control Tec/Engexpor; construtora civil: Engesul; pré-fabricado: Cassol; instalações elétricas e hidráulicas: Vigor; piso: Tecnopiso; ar-condicionado: Termocontrol; frio alimentar: Sel Frio; cobertura metálica: Sul Metal; automação comercial: KW.
Simone Capozzi