Impermeabilização | PiniWeb

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Impermeabilização

22/Junho/2005
Proteção subterrânea

A impermeabilização das fundações é uma iniciativa barata, fácil de executar
e que evita problemas mais sérios no futuro


A impermeabilização é um dos pontos mais críticos de toda obra. No caso de fundações, essa preocupação precisa ser ainda maior. Se o serviço não for executado no momento exato, a correção dos problemas se torna um pesadelo para construtores e, principalmente, para os futuros usuários.

Um dos casos mais comuns de problemas relacionados à infiltração de água se dá justamente por meio da capilaridade nos alicerces. Embora o tratamento seja necessário apenas em fundações diretas, como baldrames e radiers, é fundamental para evitar transtornos de natureza estética - ou mesmo estrutural em casos mais graves. "Toda estrutura que será submetida a algum contato com a água deve ser submetida a um tratamento adequado para impedir que, essa umidade caminhe pelo alicerce e cause avarias, como a corrosão de armaduras ou deterioração do concreto e do acabamento", alerta o chefe do Agrupamento de Infra-estrutura Viária, Impermeabilização e Obras do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), Rubens Vieira.

O cuidado no tratamento das fundações não exige grandes investimentos ou mesmo execuções muito complexas. A diversidade de materiais disponíveis atualmente faz com que as opções de mercado sejam acessíveis a todos os tipos de fundação. A aplicação, no entanto, deve ser prevista com alguma antecedência, evitando imprevistos e garantindo um serviço bem feito. Vale lembrar que, nesse caso, as possíveis correções têm um custo muitas vezes superior.

Segundo estimativas do coordenador de projetos do IBI (Instituto Brasileiro de Impermeabilização), Jefferson Gabriolli, em edificações unifamiliares residenciais, o custo de impermeabilização das fundações é de 0,1% do total gasto na obra. "O custo relativo é praticamente zero. Para fazer uma boa impermeabilização de fundação, se gasta muito pouco em relação à obra toda. Além disso, é muito fácil de ser executado", complementa.

Há dois tipos de materiais: rígidos, à base de cimento, e flexíveis, à base de asfalto. No caso das fundações, a escolha do material é simples, uma vez que podem ser usados os dois tipos, sem restrições, pois o material não permanece exposto às intempéries. "Vale lembrar que, em alguns casos, se pode prever a movimentação das fundações. Nessa situação a melhor opção é pelo material flexível", acrescenta Vieira.

Patologias
Apesar do baixo custo de execução e implantação simples, fatores positivos na decisão pela impermeabilização, as patologias causadas pela infiltração de água nos alicerces são bastante prejudiciais às edificações, principalmente aos acabamentos - materiais de maior custo em uma obra. Por efeito de capilaridade, a água sobe pela fundação para as paredes, atingindo pinturas, azulejos, texturas e mesmo pisos e rodapés.

"Quando se apóia uma alvenaria sobre a fundação, é importante que esse material não absorva umidade e a transporte para o lado interno ou externo do acabamento. Se isso acontece, há uma série de conseqüências negativas: a tinta forma bolhas e descola, e os revestimentos começam a desagregar, incluindo os do piso", explica o engenheiro Marcos Storte, da Viapol, empresa especializada em impermeabilizantes. "Além de desconfortos que a umidade interna traz, com a criação de fungos, os sintomas da umidade são progressivos."


Nesses casos, ausência ou falhas na execução da impermeabilização significam ter que desfazer o serviço para que se possa tratar a infiltração. Além disso, essas intervenções, em linhas gerais, são paliativas para barrar o progresso da infiltração. Mas não atacam diretamente a causa do problema. As intervenções mais comuns são feitas com injeções de produtos impermeabilizantes à base de silicatos e resinas, impedindo que a umidade continue subindo e agrave as perdas no revestimento.

Esse é um caso clássico, em que a prevenção é a melhor saída, pois eventuais correções do problema exigem um investimento muito superior à impermeabilização. O mesmo acontece com o tempo de trabalho. "Toda intervenção necessária, na melhor das hipóteses, significaria remover toda a argamassa já aplicada, bem como a pintura. E toda vez que é preciso refazer um serviço, o construtor acaba por gastar cinco vezes mais. Isso porque é preciso demolir, remover, fazer a intervenção, recompor o piso e depois fazer o acabamento", finaliza Storte.


Dois métodos de impermeabilização






Preparação: para que os produtos tenham o desempenho desejado, as superfícies de concreto ou argamassa devem estar completamente secas, de preferência ásperas e desempenadas. Importante remover traços de ferrugem com escova de aço. Para a regularização, utilizar argamassa de cimento e areia, traço 1:3 em volume






Aplicação de argamassa polimérica






Após a regularização da superfície e a cura da argamassa, umedecer a área com água antes da aplicação da argamassa polimérica











A argamassa polimérica é umproduto impermeável, semi-flexível e bi-componente (polímeros acrílicos mais cimentos especiais com aditivos impermeabilizantes) que devem ser misturados na própria obra









Aplica-se com trincha ou brocha, em demãos cruzadas, a fim de preencher eventuais espaços vazios, com intervalo de 2 a 6 horas entre as camadas, dependendo da temperatura ambiente. Ao final da última demão, em áreas abertas ou sob a incidência solar, promover a cura úmida por 72 horas










Demãos de cobertura: depois de aplicada a primeira demão de penetração, aguardar 24 horas. Após esse período, aplicar mais duas demãos, com intervalo de 24 h entre uma e outra, para garantir a proteção do alicerce












Cobertura: o prosseguimento da obra (no caso, elevação das paredes) pode ser realizado apenas após a secagem completa do produto






Aplicação de emulsão asfáltica elastomérica



Aplicação: a impermeabilização de baldrames com emulsões asfálticas é simples, não requer experiência nem uso de nenhum equipamento extra, apenas rolo de pintura, brocha ou trinchas. Após a regularização do baldrame, deve ser aplicado o primer. Após a secagem deve ser aplicada a primeira demão da emulsão. Nesta demão, denominada "penetração", esfregar bem o material sobre o alicerce.

Em seguida, novas demãos até que a película formada pela emulsão tenha 3 mm de espessura. Em áreas verticais, para aumentar a aderência do revestimento,
pode-se pulverizar areia na ultima demão do impermeabilizante antes da cura total do produto

Fonte: Lwart


Texto original de Renato Marques
Téchne 96 - março de 2005