Impermeabilização de jardineiras | PiniWeb

Notícias

Impermeabilização de jardineiras

5/Outubro/2004
Quando se pretende fazer uma floreira de gramado, arbustos, flores ou até árvores sobre a laje de cobertura, o primeiro passo é consultar um arquiteto/engenheiro e um paisagista, pois as lajes devem ser dimensionadas, na fase de projeto, de acordo com o volume de terra a ser usado - determinado pelo porte das plantas. A definição do sistema impermeabilizante a ser utilizado é outro passo importante, pois é isso que garantirá a estanqueidade da laje à umidade da terra contida na floreira.

Se possível, as paredes das jardineiras devem ser concretadas junto com a laje para evitar dilatações diferentes, mas nada impede que sejam construídas com materiais mistos tais como concreto, bloco ou tijolo maciço, mas tem-se que verificar a compatibilidade do sistema impermeabilizante com o sistema construtivo, bem como a área, volume e altura da jardineira.

A escolha do sistema de impermeabilização mais adequado para jardineiras depende de diversos fatores, como os sistemas moldados in loco - emulsão ou solução asfáltica elastomérica -, que são de fácil aplicação e podem ser usados em locais com interferências. A manta asfáltica, porém, tem um rendimento de aplicação e um controle de espessura e resistência maiores.

Recomenda-se sempre prever no projeto uma proteção mecânica sobre a impermeabilização, pois a jardineira é passível de manutenções como a remoção das plantas, do solo, renovação do sistema de drenagem, entre outros.


Em geral, recomenda-se o uso de plantas com raízes superficiais evitando a colocação de arbustos e árvores que tenham raízes muito profundas. Deve-se prever um sistema de drenagem que consiste em garantir que a água das chuvas e das regas passe pelo substrato e chegue até os ralos e calhas de escoamento com facilidade. É necessária a colocação de brita sobre a proteção mecânica e uma tubulação perfurada envelopada com geotêxtil captando toda a água do dreno. Se possível, deve-se elevar essa tubulação na vertical até o nível da terra, para funcionar como um ladrão de emergência caso o dreno não funcione, conforme mostram as fotos.

Antes da impermeabilização tem-se que fazer o preparo da superfície da jardineira que consiste na regularização com argamassa de cimento e areia, traço 1:3 em volume, com uma espessura mínima de 2 cm e caimento mínimo de 1% em direção aos ralos. Em geral, utiliza-se um promotor de aderência entre a laje existente e a regularização a ser realizada. Os cantos vivos e arestas devem ser arredondados com raio mínimo de 5 cm.

Normas
Para um maior conhecimento sobre a impermeabilização, existem normas técnicas da ABNT que deverão ser atendidas para garantir a estanqueidade das partes construtivas, bem como a salubridade, segurança e conforto do usuário. A seguir estão descritas algumas das normas técnicas que poderão auxiliar no projeto, especificação e execução de impermeabilização em jardineiras:

  • NBR 9574 - Execução de Impermeabilização
  • NBR 9575 - Impermeabilização - Seleção e Projeto
  • NBR 9685 - Emulsões asfálticas sem carga para impermeabilização
  • NBR 9686 - Solução asfáltica como primer na impermeabilização
  • NBR 9910 - Asfaltos modificados para impermeabilização
  • NBR 9952 - Mantas asfálticas com armadura para impermeabilização
  • NBR 11905 - Sistema de Impermeabilização com cimento impermeabilizante e polímeros
  • NBR 13121 - Asfalto elastomérico para a impermeabilização
  • NBR 13724 - Membrana asfáltica para impermeabilização, moldada no local, com estruturantes



    Materiais

    Emulsão asfáltica elastomérica
    Resultante da dispersão de cimento asfáltico em água, por meio de agentes emulsificantes e enriquecido com polímeros de geração avançada, o produto contém alto teor de sólidos, excelente aderência e secagem rápida.

    Vantagens:
  • Produto moldado in loco, à base de água, de fácil aplicação, material elástico e flexível
  • Não deixa emendas
  • Facilidade para fazer arremates em lugares de difícil acesso
  • Tempo de secagem entre uma demão e outra de duas horas no mínimo
  • Consumo estimado: 3 kg/m2

    Manta asfáltica
    É um impermeabilizante pré-fabricado à base de cimento asfáltico, estruturado com não-tecido de poliéster pré-estabilizado. O produto apresenta excelente flexibilidade e aderência e atende à norma NBR 9952.
    A norma prevê quatro tipos de mantas asfálticas diferentes em relação à resistência à tração. A especificação mais adequada do tipo de manta dependerá da dimensão e solicitação da área.

    Vantagens
  • Produto pré-fabricado, maior controle de resistência e espessura final
    de impermeabilização e maior produtividade na aplicação
  • Consumo estimado: 1,15 m2/m2

    Solução asfáltica elastomérica
    Composto de cimento asfáltico diluído em solventes orgânicos e enriquecido com polímeros de geração avançada, o produto tem excelente alongamento e memória, ou seja, grande poder elástico

    Vantagens
  • Produto moldado in loco de fácil aplicação
  • Material elástico e flexível, não deixa emendas
  • Facilidade em fazer arremates em lugares de difícil acesso
  • Consumo estimado: 3,0 l/m2

    Dicas

  • É recomendável que as paredes das jardineiras sejam feitas de concreto armado e concretadas junto com a própria laje para não haver diferenças de movimentação

  • Os cantos vivos e arestas devem ser arredondados com raio mínimo de 5 cm

  • Devem ter uma boa capacidade de escoamento, portanto é importante a dimensão dos ralos e tubulações bem como a camada de drenagem

  • Dimensionar as jardineiras de forma que permita fazer a impermeabilização

  • As tubulações deverão ser afastadas da parede e juntas de dilatação e, entre si, no mínimo 15 cm

  • Deve ser proibido durante a execução da impermeabilização:
    - Trânsito de pessoas e veículos não autorizados
    - O armazenamento de materiais não pertencentes ao serviço
    - Outros serviços ou atividades em níveis acima da área de execução que possam ocasionar a queda de materiais inteiros ou fragmentados, que venham prejudicar os serviços

  • Colocar uma camada de geotêxtil entre a terra e a camada drenante, o que permite um melhor escoamento da água e retém as partículas do solo, evitando
    o entupimento do dreno

  • Muitas espécies que parecem inofensivas escondem um grande transtorno futuro. São espécies com tipo de raiz que possuem características longas, procurando sempre os fluxos d'água e se alojando nas tubulações. Os danos com o passar do tempo são desastrosos: tubulações entupidas e rompidas e laterais de jardineiras e revestimentos arrancados

  • Plantas mais indicadas: Begônia Rex, Acalipha, Bambu de Pesca, Bambu Japonês, Bambu Metake, Bambusa, Begônia, Dracena, Heliconia, Íris, Ráfia, Trapoeraba

  • Plantas não indicadas: Fícus, Cipreste, Junípero, Tuia (pinheirinhos), Schefflera (Brassaia). Algumas espécies de bambus são desaconselhadas

    Rógerio Folegatti
    Rfolegatti@lwart.com.br


    Téchne 90 - setembro de 2004