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Instalações para centrais estacionárias de GLP

29/Junho/2004
Em função das recentes análises de disponibilidade de energéticos no País temos notado um crescimento significativo do gás como alternativa viável para os mais diversos tipos de aplicação. Exceto o uso convencional mais conhecido, o da cocção (utilização em fogões), o gás tem sido apresentado como solução de custo-benefício bastante interessante nos processos de aquecimento e em outros tipos de aplicações, em especial aqueles concorrentes com a energia elétrica.

No caso do GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), a distribuição é realizada por meio de cilindros ou recipientes que contêm o gás em fase líquida, o que possibilita o armazenamento de grande quantidade de energia. Essa energia pode ser transportada e entregue em diversos locais de consumo, sem a dependência da infra-estrutura de redes e malhas de distribuição, o que promove uma autonomia controlável.

Para utilizações residenciais, comerciais ou industriais devem ser construídas centrais de GLP, com o objetivo de abrigar esses recipientes ou cilindros, possibilitando o armazenamento do gás para uso contínuo por parte dos consumidores finais.

Hoje, destaca-se a utilização de um sistema de abastecimento a granel, em que são utilizados recipientes transportáveis, que podem ser abastecidos diretamente no local de uso. Isso gera facilidade adicional na gestão do consumo.

Detalhes de projetos e aplicações
São estabelecidas algumas orientações gerais sobre o desenvolvimento dos projetos das centrais de GLP, válidas também para a instalação dos recipientes transportáveis que são abastecidos no local:

  • Devem ser elaborados por profissional habilitado

  • A área destinada para a central de GLP deve constar na planta baixa do projeto, indicando a quantidade, a disposição e capacidade volumétrica dos recipientes de armazenagem

  • A pressão de projeto para os recipientes, tubulações, acessórios e vaporizadores até o primeiro regulador de pressão deve ser de 1,7 MPa

  • As tubulações de fase líquida de GLP não podem passar no interior das edificações

  • As instalações da central de gás devem permitir o reabastecimento dos recipientes, sem a interrupção da alimentação do gás aos aparelhos de utilização

  • As distâncias de segurança devem ser verificadas e respeitadas.

    O dimensionamento das centrais é função da quantidade da demanda de GLP necessária ao funcionamento adequado do uso pretendido e da autonomia requerida para a instalação em função da quantidade total armazenada.

    Diversos aspectos devem ser levados em consideração, como o dimensionamento da quantidade, tipos de recipientes e da localização da central de GLP. As normalizações existentes destacam todas as condições de distanciamentos e proteções que devem ser aplicados à central em função das características particulares, em especial com relação à quantidade de armazenamento.
    Cilindro-padrão e cilindro para abastecimento a granel

    Materiais
    Os principais materiais citados nas normalizações aplicáveis dizem respeito principalmente aos recipientes, acessórios de operação e condução do GLP para destinação de uso final.

    Os recipientes são classificados quanto:

  • À localização: de superfície, enterrados ou aterrados
  • Ao formato: cilíndricos ou esféricos
  • À posição: verticais ou horizontais
  • À fixação: fixos ou não-fixos
  • Ao manuseio: transportáveis ou estacionários
  • Ao abastecimento: abastecidos no local ou trocados

    O recipiente considerado transportável deve possuir acessórios adequados para o manuseio e transporte, independentemente da norma de fabricação. Deve possuir também base na parte inferior, permitindo assentamento estável em plano nivelado, evitando contato com o solo. A base deve ser parte integrante do recipiente.

    Não devem existir conexões na parte inferior de recipientes transportáveis. Todas as válvulas e conexões devem ser localizadas na parte superior, protegidas contra impactos diretos durante o transporte e o manuseio. Os protetores devem ser parte integrante do recipiente.

    Recipientes estacionários com capacidade volumétrica total acima de 0,5 m3 (250 kg aproximadamente), só podem ser transportados com no máximo 10% em volume de GLP. Dessa forma, antes de serem removidos devem ser esvaziados, transferindo-se o GLP para outro recipiente ou para um caminhão-tanque.

    Com relação aos tubos e conexões, são previstos alguns materiais a serem utilizados:

  • Tubos de aço-carbono atendendo às especificações das NBR 5590 (equivalente a ASTM A53) ou ASTM-A-106 ou API 5L
  • Conexões de ferro fundido maleável, classe 300 conforme NBR 6925, com rosca de acordo com a NBR 12912
  • Conexões de aço forjado, atendendo às especificações da ASME/ANSI-B-16.9
  • Mangueiras de borracha para alta pressão, atendendo às especificações de NBR 13419 (somente nas interligações)
  • Tubos de cobre conforme NBR 13206 próprios para serem unidos por acoplamentos ou solda de ponto de fusão acima de 538oC
  • Conexões de cobre e bronze conforme NBR 11720
  • Tubo de condução de cobre flexível, sem costura, conforme NBR 14745 somente nas interligações

    No tocante aos acessórios utilizados, os mesmos devem ser apropriados para uso do GLP em temperaturas e pressões que são encontradas em serviço, função do tipo da instalação.

    Para reduzir a probabilidade de vazamento na fase líquida é recomendável que o número de conexões do recipiente em contato com a fase líquida seja minimizado. As válvulas devem estar localizadas o mais próximo possível do recipiente e todo recipiente abastecido por volume deve dispor no mínimo dos seguintes acessórios:

  • Válvula de abastecimento
  • Válvula para consumo
  • Indicador de nível máximo de enchimento
  • Válvula de segurança ou alívio de pressão, conectada diretamente à área de vapor do GLP no recipiente
  • Um sistema de drenagem, ou qualquer outro meio para retirada do líquido do recipiente, quando esse for estacionário
  • Indicador de nível volumétrico. É proibido o uso de visores de vidro para nível líquido e recipiente de armazenamento de GLP

    Os materiais utilizados nas centrais de GLP são especificados por normas técnicas, adicionadas, ainda, da comprovação de utilização nas condições de compatibilidade de trabalho com GLP.

    Central de abastecimento a granel

    Controle de qualidade
    Todos os recipientes transportáveis para GLP são fabricados e certificados compulsoriamente de acordo com a NBR 8460. Os recipientes estacionários são normalmente projetados e construídos conforme código americano de vasos de pressão ASME seção VIII Divisão 1 ou 2.

    Os demais materiais e acessórios devem ser adquiridos com certificados de qualidade de acordo com as determinações das normas específicas de fabricação, assim como os acoplamentos devem ser executados em conformidade com os requisitos de normas e orientações dos fabricantes.

    Em toda visita para substituição de cilindros ou reabastecimento a granel, os funcionários das distribuidoras devem inspecionar as condições das centrais de GLP, seus recipientes e acessórios, sendo que qualquer irregularidade é devidamente comunicada e tratada com o cliente. Caso haja alguma anomalia que possa proporcionar riscos, a instalação deve ser interditada.



    LEIA MAIS

    NBR 13523 - Central de Gás Liquefeito de Petróleo
    NFPA 58 - Liquefied Petroleum Gas Code
    HS(G)34 - Health and Safety Executive Guidance - The storage of LPG at fixed installations


    Téchne 86 - maio de 2004
  • Veja também

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