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Orçamento

5/Dezembro/2003
Você sabe fazer composições de preços?

Metodologia de orçamento tem apenas regras básicas. Veja como estimar o preço de alguns serviços e quais ferramentas o mercado dispõe para auxiliar orçamentistas

Evitar um grande descolamento entre o orçamento da obra e seu custo real no decorrer da construção é o desafio de todo construtor. Efetuar boas composições de custos é uma das maneiras de evitar isso. As ferramentas de controle da obra são tão úteis quanto as metodologias de orçamentação.

Compor preços de serviços, como se verá, não é das tarefas mais fáceis.
Para executar uma obra, a construtora deve seguir processos definidos, conhecer suas possibilidades e limitações técnicas e deve saber unir materiais e sistemas construtivos para ter um produto final de boa qualidade. Elaborar um orçamento não é diferente. Cada pequeno item deve ter uma composição planejada, que respeite a cultura da construtora, seus procedimentos, capacidade financeira e organizacional para tornar aquele orçamento exeqüível. O problema é que, muitas vezes, o orçamento é visto como uma tabela puramente matemática, uma reunião de valores, que ignora o que de fato ocorre no canteiro, as particularidades e casos atípicos de cada projeto.

Segundo definição do TCPO (Tabelas de Composições de Preços para Orçamentos), da Editora Pini, para montar um orçamento é necessário, entre outros aspectos, conhecer os coeficientes de produtividade da mão-de-obra, consumo de materiais e consumo-horário dos equipamentos utilizados nos serviços. No entanto, isso de nada adianta quando existem erros de projeto ou problemas de concepção. Pior ainda quando sequer existe um projeto, pois quanto mais indefinições, maior a possibilidade de uma estimativa de custos distante da realidade. Outra questão que interfere na montagem de um orçamento diz respeito ao processo. Há diferentes métodos para fazer o produto que está descrito no projeto e cabe à empresa definir de forma clara o mais adequado.

A quantidade do produto ou serviço é o primeiro aspecto a ser considerado. Em um segundo momento, deve-se considerar as quantidades de material, horas de equipamentos e mão-de-obra por unidade de serviço. Para isso, quanto mais informação se tiver, mais precisa será essa definição e, conseqüentemente, a composição do serviço.

Processo analítico
Segundo Ubiraci Espinelli, professor da escola Politécnica da USP, um processo analítico é sempre mais recomendável nas composições de custos. É preciso olhar o produto de forma tão fragmentada quanto a execução. Num serviço de alvenaria, por exemplo, os manuais tradicionais falam de metros quadrados de parede a executar, só que é necessário entender que existem as etapas de marcação, elevação e fixação. Esses três itens fazem parte do serviço e são executados, normalmente, por pessoas diferentes em diversos momentos.

É possível que uma empresa coloque operários, para executar a marcação da alvenaria, à frente do serviço. Depois, outra equipe faz a elevação, um trabalho que também usa blocos, argamassa e mão-de-obra, mas em maior quantidade. A própria organização do trabalho, quanto à composição da equipe e aos equipamentos usados é distinta; e essa etapa se inicia com um certo intervalo de tempo em relação ao término da primeira. A fixação é feita alguns dias após a elevação. Nesse caso, alguém executa a fixação por dentro e outra parte da fixação será feita por alguém que está no balancim quando estiver executando o revestimento da fachada. Embora a estimativa orçamentária possa considerar todos esses esforços conjuntamente, quando tornamos a composição mais analítica, temos mais informações e mais chances de acertar.

Quanto mais especificado é um orçamento, mais útil ele se torna enquanto referência para a execução, segundo Espinelli. "Como engenheiro da obra passo a ter informações sobre a quantidade de cada atividade que terei de implementar, facilitando, inclusive, o controle do seu andamento e mesmo a definição da remuneração dos operários
O desconhecimento da produtividade é outro fator que causa desacertos nos custos. Nos cálculos de orçamentos é comum a utilização de coeficientes já pré-definidos em manuais e que representam uma média. No entanto, tal valor pode não ser o mais adequado para uma empresa. Espinelli afirma que encontrou, em diversos estudos, números que variam de 25 a 80 Hh/m2 de construção em um edifício [Hh/m2: quanto tempo uma pessoa demora para executar uma unidade de serviço]. É claro que um prédio, olhado de uma maneira global, tem uma série de particularidades como a quantidade de paredes, a utilização ou não de gesso acartonado, entre outros fatores que poderiam fazer esses valores variarem. Mesmo olhando-se para serviços específicos, como de fôrmas, encontrou-se variações de 0,5 a 1,8 Hh/m2. De maneira semelhante, no caso de serviço de armação, os índices variaram de 0,04 a 0,12 Hh/kg de aço.

Dessa observação, conta Espinelli, surgiu a idéia de um estudo de produtividade variável, que detalha os coeficientes de consumo de mão-de-obra e materiais para diferentes características dos serviços e condições de gestão e de organização. O trabalho reuniu, no caso dos materiais, além da USP, 15 universidades que estudaram mais de 100 canteiros num total de três anos. No caso da mão-de-obra várias construtoras foram também avaliadas durante um período de tempo semelhante. Uma síntese dos resultados do estudo pode ser encontrada no TCPO 2003. Essa análise auxilia o construtor a aproximar o resultado do orçamento daquele realmente obtido durante a obra.

O ideal é que cada empresa conheça sua produtividade e, para isso, vale sempre o método da observação. "O importante é o uso de critérios científicos com todas as devidas precauções como isolar fatores atípicos, amostras viciadas e entendimento do que está sendo observado, para que não se obtenha resultados inválidos", diz o engenheiro Carlos Tibério, diretor da construtora Tibério. Para montar a própria régua de produtividade, ele explica que o melhor é partir de uma base já comprovada e com este arcabouço efetuar as próprias medições e validações junto à obra. "Partir do zero implica grande risco de deixar de ponderar itens da composição", diz.

Com e sem terceirização
A construtora EZ Tec conta com mão-de-obra própria para executar a maior parte de seus serviços. Assim, consegue mensurar sua produtividade em função do próprio histórico da empresa, pois já conhece a produção da equipe. Nos casos em que a tipologia da obra muda muito e é necessária a utilização de um novo método construtivo, a empresa se baseia em trabalhos acadêmicos de estudo de produtividade daquele sistema. "Serve como um ponto de partida para trabalharmos quando não temos esses dados", diz o engenheiro Carlos Eduardo Monteiro.


Já no caso de obras terceirizadas, normalmente a construtora deixa essa questão por conta do empreiteiro, que já define um preço fechado para o serviço. Ainda assim, saber qual é a produtividade do terceiro é importante para o construtor. A Conceito, que terceiriza seus serviços, tem desenvolvido um trabalho em que procura provar para o empreiteiro que consegue fazer o mesmo serviço com mais agilidade e menos funcionários. Caso o empreiteiro também o consiga, a diferença do que ele estimava gastar e o que realmente gastou é rateada entre as empresas. "Certa vez, foi estimado que duas pessoas fariam dois serviços diferentes: um o contrapiso e o outro a colocação de piso cerâmico, sendo que cada um demorava uma semana.

Incentivando o funcionário com um salário maior, nós conseguimos mostrar que somente um homem fazia o contrapiso durante três dias e nos outros dois colocava o piso cerâmico", explica o engenheiro Márcio Andrade Pestana, gerente de planejamento da Conceito. Ele explica que a idéia é tentar esse plano em serviços mais complexos como alvenaria e estrutura, mas a construtora ainda encontra dificuldades em acertar o modelo, até porque esbarra na resistência das empreiteiras.

Nos serviços terceirizados pela EZ Tec, que são os de instalações elétricas, hidráulicas e impermeabilização, a empresa entrega ao empreiteiro seus cronogramas de obra correspondentes àqueles serviços. Como são atualizados mensalmente, ambos têm condições de acompanhar a evolução dos trabalhos. "Dessa forma, nós sempre acertamos os cronogramas em reuniões de obras, quando necessário, para que não haja atrasos", diz Monteiro.

Mesmo com preço fechado - caso das obras privadas - é prudente solicitar o detalhamento dos custos de terceiros. Nos casos de obras públicas, no entanto, esse procedimento é obrigatório. "Não se pode trabalhar dessa forma num órgão público", diz o engenheiro Valeriano Marcante, chefe do Departamento de Orçamentos e Custos da FDE (Fundação para o Desenvolvimento em Educação), órgão responsável pelas obras da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo. "Não posso aceitar uma composição que não tenha especificação de custo-horário de mão-de-obra", diz.

Entre inúmeras outras razões, Valeriano explica que essa especificação permite pesquisar empresas que tenham programas de qualidade e, nesse caso, que tenham realizado pesquisas de campo para detectar perdas de materiais e produtividade. "Um órgão público tem de ser indutor de redução de perdas", diz. "Porém, o que não se pode aceitar é que se especifique na composição de preços a perda que foi detectada em campo, mas que não possa ser corrigida na obra."

Considerar os coeficientes de perdas de mão-de-obra e de material é fator fundamental não só para o aumento da produtividade mas também para a própria redução de desperdício. Aqui também vale a observação e experiência na execução do serviço. "A perda de produtividade em trechos recortados é muito diferente da observada em grandes trechos", diz Tibério. "Dessa forma, não se pode usar o mesmo coeficiente diretamente na metragem quadrada, devendo ser observado o projeto e ponderado sua influência sobre essas perdas", acrescenta.

Segundo Monteiro, da EZ Tec, a produtividade da mão-de-obra é mais fácil de mensurar do que o consumo de material, até porque isso é considerado na hora de medir o dimensionamento da equipe no início de cada etapa de um serviço.


Nos sistemas que demandam repetição, de acordo com ele, um erro é dividir o número físico da obra pela produtividade. Por isso, a construtora dimensiona atribuindo pesos a algumas etapas. Por exemplo, no caso de um serviço de estrutura atribui-se peso 2 para mão-de-obra na fase inicial, ou seja, onera-se em 20% porque é um período de adaptação. No final da etapa, o peso atribuído também é maior, porque existem características diferentes da repetição dos andares-tipo, uma vez que lida com outros elementos como caixa d'água e barrilete. Já nos pavimentos-tipo, o peso atribuído é 1, pois a produção é padronizada.


Efetuar as próprias medições de produtividade contribui para um melhor equilíbrio entre o orçamento previsto e o real



Ato falho
A principal falha na composição de custos é a falta de planejamento da obra. Não dá para falar em orçamento sem um controle de equipes e negociação com fornecedores, por exemplo. É necessário que ele seja discutido sempre no âmbito da obra, para ter uma mensuração das etapas de serviços e quando elas vão ocorrer. "Existe uma coisa chamada nivelamento de recursos, aplicado basicamente para mão-de-obra, que é o conceito de não se ter mão-de-obra ociosa", diz Monteiro. "Numa composição orçamentária, fala-se muito que, para a fundação, vai-se gastar tantas horas de escavação, de baldrame e sapata, depois ainda é preciso fazer vala para drenagem. Só que existem determinados trechos de não-continuidade de mão-de-obra, então é importante que, junto com o cronograma, se faça o nivelamento desses recursos para contratar no tempo correto e garantir um custo médio menor", finaliza.

Além dessas questões de ordem mais complexas, outros itens mais pontuais da composição também interferem nos custos. Um princípio básico, mas passível de erro, começa pela não-verificação dos critérios e detalhamento de serviços, que podem variar de acordo com o órgão contratante, principalmente no caso de licitações públicas. É comum encontrar, por exemplo, o metro quadrado como unidade de medição em uma composição de alvenaria de blocos de concreto em alguns órgãos e o próprio número de blocos em outros.

Portanto, definir questões desse tipo com o contratante evita uma eliminação desnecessária num processo de concorrência. Além disso, o construtor ainda peca por não incluir com detalhes todos os serviços envolvidos na composição. "Isso gera uma enorme confusão, porque a empresa não diz o que incluiu no preço", afirma o engenheiro Valeriano Marcante, da FDE. "Suponha que eu tenha um preço de alvenaria e a construtora orçou um preço maior que o meu. Acontece que ele pode ter orçado o serviço de alvenaria revestida e o meu preço se refere a alvenaria simples", exemplifica. Vale ainda uma definição dos critérios de medição acertados com o contratante da obra, para que não haja a possibilidade de brechas nesse sentido.

Para Carlos Tibério, outras questões como não considerar situações atípicas, mensurar erroneamente problemas e encontrar dificuldades na execução dos serviços podem prejudicar a composição. Utilizar composições genéricas sem validar com a própria empresa também causaria distorções. "Além disso, não se deve esquecer de itens na composição como encargos sociais e custos indiretos", lembra.

Custos indiretos
Os custos indiretos merecem cautela na composição, uma vez que causam certa polêmica na hora de sua classificação. Determinados serviços podem ser considerados custos diretos para alguns contratantes e indiretos para outros. A discussão começa a ocorrer em atividades típicas de escritório e que, por um motivo ou outro, são transferidas para a obra. Caso, por exemplo, de dúvidas sobre suprimentos que devem estar alocados na obra ou escritório ou sobre perguntas a respeito de onde as folhas de pagamento devem ser rodadas, se na obra ou escritório. Embora essas atividades estejam normalmente alocadas nos escritórios centrais, em muitas empresas são transferidas para a obra. Nesse caso, vale a pergunta: a atividade é típica ou não da obra para determinar sua natureza?


Além desse questionamento, vale a regra de esclarecer com o contratante a classificação desses itens. Para que se consiga controlar na obra o que foi previsto no orçamento. A FDE, por exemplo, já especifica em memorial os itens contemplados no BDI. O mesmo procedimento é adotado pela CDHU, que estimou o valor do BDI em 22% e especifica os serviços que devem ser incluídos. Já o gerente de planejamento da Conceito, Márcio Andrade Pestana, explica que isso depende, inclusive, do contrato. "Os contratos devem especificar se os itens entram nos custos fixos ou não", diz Pestana. "Outros não permitem a cobrança de custos fixos, apenas do BDI", comenta.

Negociação
Outra questão a ser considerada é a pesquisa de preços. Porém, a montagem dos preços se dá pela busca da informação, procedimento que consome custo de tempo e de dinheiro. Ou seja, quanto mais minucioso e preciso, com menor margem de erro, maior será o custo da elaboração de cotações, que pode ser um serviço terceirizado ou praticado pela própria empresa. Assim, um paliativo para a rapidez desse processo são as pesquisas de preços focadas na curva ABC.

Porém, não será o orçamento mais preciso. Segundo o engenheiro Monteiro, da EZ Tec, dependendo do caso, o que interessa não é a quantidade de informação, mas sim a qualidade de informação que se trabalha. "Não se consegue fiscalizar cinco mil itens de orçamento. Por isso, vale mais fiscalizar 50 de maior representatividade do que fiscalizar mal os 5 mil", diz. Com esse critério, busca-se um orçamento com determinada margem de erro a um custo razoável. Não cabe, porém, julgamentos sobre o que é certo ou errado. "Dependerá de quanto de erro a empresa está disposta a aceitar e de quanto investimento está disposta a efetuar na fase de orçamentação", diz Carlos Tibério. De qualquer forma, por mais detalhado que estejam os preços, ainda assim é possível se errar numa composição. Afinal, um orçamento ainda não é capaz de estimar o poder de barganha do comprador.



Construtora adota sistemas diferentes em duas obras do mesmo empreendimento



Para testar a viabilidade da utilização de alvenaria com sistema de amarração com tela metálica, a construtora Consman fez um estudo comparando-o com a amarração convencional. Na primeira torre foi utilizado o sistema convencional, já na segunda torre adotou-se o sistema em teste. "Sempre trabalhamos com o processo convencional, mas percebemos que o consumo de meio bloco e peças especiais de bloco aumenta demais", diz Eliézer Mendes Silva, diretor da Consman.

A primeira análise refere-se apenas ao consumo de material, uma vez que a produtividade será contemplada num segundo momento, com a finalização das obras. No entanto, já é possível sinalizar algumas vantagens do sistema testado, como a maior velocidade da execução da alvenaria externa, liberando a fachada e colocação de contramarcos.

Detectou-se ainda a redução de quantidades de entulhos, visto que o novo sistema favorece a diminuição de quantidade de quebras. No estudo, a diferença de custos foi de 2,6% a favor do sistema convencional, portanto, deve-se levar em consideração a diferença de tamanho entre as duas torres.

Na primeira, construída em alvenaria convencional, a área total de alvenaria é de 678,18 m2, enquanto que na segunda torre a área é de 740,88 m2. "Apesar de mais caro, o método com tela é mais prático."


Caixa trabalha com apenas 47 tipologias de edificação

A Caixa Econômica Federal tem particularidades em relação à composição de custos. Em habitação, o banco adota apenas 47 tipologias nos padrões alto, normal, baixo e mínimo. Os índices escolhidos são sempre em função do menor custo, desde que se encaixe no mesmo padrão ou em um padrão maior. As composições são únicas para todo o Brasil.

Para saneamento e infra-estrutura, a CEF tem seu próprio banco de composições, unificado para todo o Brasil. Trabalha com uma amostra de 11 preços que são atualizados pelo IBGE, sendo orçado nas regionais. Segundo a arquiteta Ana Cecy Andrade Ramos, supervisora técnica da gerência de padrões e normas, a composição assume uma produtividade-padrão. "A CEF não fez um trabalho em cima disso", explica. Além disso, não leva em conta o BDI. "O sistema só admite a visualização quando está ligado a um projeto", diz. A composição considera também coeficientes preestabelecidos de perdas.
Cuidado com terceirizados



Ubiraci Espinelli Lemes de Souza
Professor da Poli-USP


Sendo a produtividade mensurada pela relação entre o número de homens-hora demandados e a quantidade de produto executada por eles, como dimensionar corretamente o número de operários a serem alocados em um serviço?

O tamanho da equipe pode ser determinado com base na prévia definição: da quantidade de serviço a ser executada, do prazo disponível e da produtividade esperada. A quantidade total, dividida pelo prazo disponível em horas, define a produção horária necessária; a multiplicação deste valor pela produtividade leva ao número de homens necessários. Portanto, pode-se calcular facilmente a equipe e abandonar o uso de regras empíricas, sem base sólida, por vezes usadas no mercado.

Uma boa composição unitária pode ajudar tal processo?

Com certeza sim. O ideal seria ter-se, na composição unitária, um valor confiável de produtividade da mão-de-obra que, junto com uma também adequada quantificação de serviços, permitisse subsidiar o raciocínio citado para determinação do tamanho da equipe. Gostaria de ver orçamentos cada vez mais confiáveis e que, confeccionados com bastante cuidado, pudessem ser utilizados para vários fins (além de subsidiarem a estimativa do custo total da obra/serviço) como, por exemplo, o já citado dimensionamento de equipes, o controle de produção, o pagamento de operários e subempreiteiros, a aquisição de materiais e componentes, entre outros.

Como ficam os serviços terceirizados nas composições unitárias?

A princípio, se no caso de utilização de operários próprios, o ônus com mão-de-obra (por exemplo, R$ 6,60/m2) nasce da multiplicação da produtividade física (por exemplo, 1,1Hh/m2 de alvenaria) pelo custo unitário (por exemplo, R$ 6,00/Hh), no caso do serviço empreitado vai-se diretamente ao custo unitário por unidade de serviço. No entanto, tenho visto algumas empresas, na busca de relações duradouras e justas com seus empreiteiros, continuarem elaborando composições analíticas e definindo relações contratuais onde os desempenhos esperados e reais são levados em conta na definição do preço a ser pago ao empreiteiro. A idéia é a de definir-se um preço a ser pago com base na expectativa comum de produtividade; caso existam afastamentos com relação ao prognóstico feito, as partes dividem os lucros ou prejuízos gerados. Portanto, as duas partes têm interesse em melhorar a previsão da produtividade e a obtenção de bons desempenhos na produção.

Qual a dificuldade de fazer orçamentos sem a disponibilização de projetos?

Tanto com relação à produtividade da mão-de-obra quanto para o caso do consumo unitário de materiais, seus valores variam em função de fatores ligados ao conteúdo do serviço (por exemplo, o tipo de bloco adotado para se fazer a alvenaria) e ao contexto do mesmo (por exemplo, a adoção de grua ou de elevador de cabos para o transporte dos componentes). Portanto, conhecer estes fatores é sempre importante para se ter precisão aumentada quanto aos prognósticos necessários para se elaborar o orçamento. É claro que, muitas vezes, há que se propor preços para serviços antes de todas as definições de projeto estarem disponíveis; mas também é certo que projetos detalhados (tanto de produto quanto de processo) aumentam bastante a confiabilidade nos valores finais obtidos. Há, portanto, que se compor um processo de orçamentação onde, a cada momento, se faça uso das melhores informações disponíveis; o processo de decisão, com base nas informações advindas do orçamento, paralelamente, fica cada vez menos sujeito a riscos na medida em que se aprimora o prognóstico.



Texto original de Kelly Carvalho
Construção Mercado 28 - novembro de 2003

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