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Tempo é dinheiro

22/Novembro/2001
O dimensionamento correto da equipe evita operários ociosos na frente de trabalho e ajuda no cumprimento do cronograma. O serviço de regularização do contrapiso requer treinamento dos funcionários, ajudantes para fornecer o material para os operários e controle para garantir uma perfeita execução



A obra tem baixa produção? O cronograma atrasa? Medir a produtividade dos operários traz parâmetros para contornar esses problemas e melhorar a gestão dentro e fora do canteiro. Conheça os métodos para aferição da produtividade e como dimensionar melhor as equipes de trabalho.
Conheça os métodos para aferição da produtividade e como dimensionar melhor as equipes de trabalho. Como método de aferição, consulte gratuitamente, durante o fim-de-semana, a base de dados disponível no TCPO e navegue livremente pelo Volare Web que integra orçamento, planejamento, controle e fiscalização. No Banco de Matérias da PiniWeb existem mais de 300 textos que abordam a produtividade, em diversos contextos. Confira alguns deles.

Desempenho
Do custo total de uma obra, em média 55% refere-se a custo com materiais e 45% com mão-de-obra. Como há limitações para reduzir o material e o desperdício vem sendo combatido duramente pelas construtoras, o custo da obra só pode diminuir com a redução do custo da mão-de-obra ou, melhor ainda, com o aumento da produtividade.

A questão é tão fundamental para a construção que derivou até em um estudo internacional envolvendo Brasil, Estados Unidos, Escócia, Croácia e, mais recentemente, México, Bulgária, Quênia e Austrália. Nas obras avaliadas na Grande São Paulo, foram aferidos os índices de produtividade de execução de serviços de fôrma, armação, concretagem, assentamento de blocos, revestimentos com argamassa interna, fachada, gesso, cerâmica, pintura e contrapiso. O modo de construir desses países está sendo comparado para se identificar boas experiências e para troca de informações. Um outro trabalho realizado em 1999 pela consultoria McKinsey comparou a produtividade da construção no Brasil e nos Estados Unidos.

Método de aferição
"A partir das Tabelas de Composições de Preços para Orçamentos (TCPO), pode-se obter os indicadores próprios para a obra em questão, mas deve-se considerar com rigor as variáveis específicas envolvidas", alerta o professor Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, coordenador do trabalho feito pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo). "Utilizar esses dados indiscriminadamente pode resultar em indicadores vagos, que não representam a realidade", observa Souza. "Os valores de produtividade também mudam caso sejam considerados apenas oficiais, ou a equipe de ajudantes e apoio", acrescenta Luís Otávio Cocito de Araújo, da USP.

O dimensionamento da equipe é feito pela RUP Potencial, que indica uma meta por ciclo de produtividade possível de ser atingida. Já com a RUP Cumulativa, verifica-se o custo da obra, pois a razão indica a média de produtividade, apontando os resultados bons e ruins. A diferença entre a RUP Potencial e a Cumulativa é a DRUP, que indica o quão distante a produtividade está da meta.

Porém, a RUP Potencial pode variar em um mesmo serviço dependendo do tipo de acabamento e aplicação. "Um serviço de revestimento interno com argamassa terá melhor produtividade caso o acabamento seja sarrafeado, pois exige menos trabalho que o desempenado", exemplifica Luciano Luís Ribeiro da Silva, mestrando da Poli. "Se a área característica da parede for superior a 7 m2 e a área de quinas for inferior a 0,8 m/m2, o trabalho será facilitado", continua Silva.

Produtividade é a chave de negócio


A RUP Global do serviço indica a produtividade de toda a equipe, tanto a direta quanto o apoio indireto. Para conseguir medi-la, o grupo da Escola Politécnica acompanhou os serviços de fôrma e concretagem até acabamento em obras na Grande São Paulo. O tempo em que a RUP seria calculada poderia ser diário, semanal ou por ciclos. O grupo verificou nos projetos que, quanto mais janelas por metro quadrado, quinas, rebarbas e pilares mais esbeltos, mais difícil será a realização do serviço. "Isso é útil para melhorar o orçamento, definir as tecnologias a serem empregadas, contratar os empreiteiros, controlar a programação e fiscalização da obra, definir recursos, dimensionar a equipe, o canteiro e programar a compra de materiais", enumera Artemária Coêlho de Andrade, doutoranda da Poli. Também facilita a previsão de quais problemas poderão surgir e como resolvê-los. Deve-se prever anormalidades, como temporais, chuvas torrenciais e erro humano, como falta de energia e quebra de equipamentos. "Quanto mais anormalidades forem previstas, mais longe a RUP Cumulativa do oficial estará da potencial. Quanto mais próxima, melhor é a gestão da obra", compara Artemária.

A medição observa as variáveis de cada obra para mostrar qual será a produtividade ideal e definir metas possíveis de serem atingidas. "Esse banco de dados nos tira da política do 'achismo', nos fornece uma linguagem comum e nos permite comparar RUPs", afirma o coordenador.

Participação produtiva
A construtora Tecnum está participando do programa de medição de produtividade do grupo da USP. A primeira etapa foi reduzir o desperdício de materiais e investir em segurança do trabalho. No final do dia, um engenheiro mede o que cada um produziu e elabora um relatório. A partir dessas amostras, a construtora pretende negociar com os empreiteiros os melhores preços. Também será possível ver o lucro do empreiteiro.
A empresa tem certificação de gestão de segurança e saúde ocupacional. Todos os riscos inerentes às atividades estão computados, como contaminação e ruído. A partir daí, estimou-se os níveis de perigo pela sua probabilidade e severidade dos prejuízos e a tolerância, para saber se o risco é intolerável, trivial ou moderado. Acima de moderado, a empresa adota planos de controle para reduzir sua probabilidade. Contra máquinas barulhentas, a empresa obriga que os funcionários usem protetores auriculares. Para evitar riscos de atropelamento, é oferecido treinamento, as máquinas possuem sinais sonoros de movimentação e há um orientador do caminhão. "Esse procedimento de execução, com operários treinados e preocupados com a segurança, faz com que o ambiente seja propício a novos programas de melhoria e, como os serviços já são controlados, fica mais fácil para medir a produtividade tanto individual como global de um determinado serviço", diz o gerente de obras da Tecnum, Caio Cezar Machado.

A construtora também está atenta ao que não agrega valor direto à obra. Se a grua é muito lenta, por mais que os operários queiram acelerar o trabalho, o equipamento impedirá o aumento de produtividade por falta de material na frente de trabalho. Ao montar uma escola no canteiro de obras para alfabetização, o funcionário com mais cultura produz mais. "Mas analfabetos que foram bem treinados para seu serviço têm uma produtividade tão boa quanto um alfabetizado", completa Carlus Fabrício Librais, mestrando da Poli. O uso de sistemas industrializados como aço cortado e dobrado, escoramento metálico e peças pré-fabricadas pode proporcionar maior produtividade.



Preço empreitado
A maioria dos empreiteiros não possuem cultura para medir a produtividade. Dessa forma, podem calcular mal seus custos e não lucrar. Com isso, não pagam impostos de funcionários e vão à falência. A construtora, por ser solidária com as responsabilidades do empreiteiro, acaba tendo problemas trabalhistas, arca com o acerto de contas ao mesmo tempo que arruma outra equipe para continuar o serviço. Tendo esses números, é possível melhor orientá-los. "Se há muitos empreiteiros que quebram, a construtora não pode se eximir da sua parcela de culpa", alerta Jorge Batlouni Neto, diretor da Tecnum. "Algumas vezes, o empreiteiro compõe um preço baseado em um edifício simples para revestir um edifício estilo neoclássico com muitos detalhes. É claro que sua produtividade será menor e precisará de mais homens/hora para conclusão", exemplifica Batlouni.

A RUP é utilizada no dimensionamento da equipe necessária para concluir o serviço no cronograma estipulado. Se as tabelas mostram uma produtividade ruim, é possível identificar os problemas para se tomar uma atitude. Muitas vezes, falta material, instrução do serviço, a equipe está superdimensionada, há um número insuficiente de ajudantes por pedreiro e o equipamento quebra. "O ganho da construtora está na produtividade", garante Jorge. "Funcionários bem treinados e bem pagos produzem mais."

Sinal amarelo
Para implementar um programa de produtividade, é necessário mostrar ao empreiteiro que a medição pode aumentar o seu lucro. "O mestre-de-obras precisa transmitir a idéia e a vontade de participar do programa para a equipe", recomenda Fábio Ribeiro da Silva Filho, diretor técnico da Concima. "É mais fácil convencer o operário de que se ele não estiver engajado no programa será substituído", completa Fábio Filho. Na execução da alvenaria, a construtora obteve, no primeiro ciclo, uma RUP de 1,86 Hh/m2. Porém, com a definição da equipe e a passagem pelas dificuldades iniciais do serviço, a mão-de-obra conseguiu uma produtividade de 1,35 Hh/m2 no quinto ciclo. "Se oferecemos higiene, treinamento, material na frente de trabalho e definimos a meta, a equipe irá atingi-la", confere o diretor técnico.

Porém, os construtores desanimam os aventureiros. As dificuldades aumentam quando a empreiteira deixa de ter interesse no programa por não estar envolvida com o projeto e pelo fato de ser terceirizada. "Essa medição requer uma confiança no trabalho da equipe", constata Newton Borini Salomão, diretor técnico da construtora J. Bianchi. "Caso não haja critério de medição e não estejam atentos ao trabalho, os dados coletados não serão confiáveis. Isso também implica convencer o empreiteiro a abrir seus custos, o que nem sempre é fácil, pois não querem ser controlados", completa Salomão.


A composição dos gastos nas obras da J. Bianchi envolveu BDI, leis sociais e até refeições. Para medir o preço unitário do revestimento externo em edifícios com argamassa, a construtora adotou, inicialmente, por meio de pesquisas, uma RUP Cumulativa Direta de 0,88 Hh/m2. Porém, com o levantamento diário do índice de produtividade, a RUP Cumulativa Direta chegou a 1,02 Hh/m2, ou seja, 20% acima do previsto. "Isso gerou um novo cálculo para reajustar o preço unitário do serviço", exemplifica Newton.



Trabalho conjunto
Para se obter dados confiáveis, o trabalho deve ser realizado pelas construtoras, empreiteiros e fornecedores. A construtora precisa saber qual RUP adotar, exigi-la de seus empreiteiros e utilizar os produtos padronizados. Pensando dessa maneira, a Votorantim está envolvida no trabalho para saber como medir um serviço de revestimento com argamassa executado de diversas formas: manual, projetado, bombeado e, assim, saber qual sua influência no custo da obra. A argamassa industrializada é um insumo da cesta básica da construção e seu desempenho deve ser acompanhado. "Quando se fala que um pedreiro executa 20 m2/dia, não se consideram ajudantes, tipo de argamassa e forma de aplicação", exemplifica Rene Pierre Vogelaar, gerente de negócios de argamassas da Votorantim. "Essa idéia trará dados incongruentes e inverossímeis com a realidade de cada obra", completa Adilson Schiavoni Júnior, gerente de vendas da Votorantim.


Seja de concreto armado ou protendido, quanto menor for a laje e mais quebras de linearidade houver, maior será o trabalho com colocação de fôrmas, amarração e controle de concretagem para cada m2. O uso de telas soldadas, fôrmas metálicas, concreto bombeado e o auxílio de uma grua aumentam a produtividade do serviço

Todos os operários recebem treinamento para colocar a cerâmica em um substrato que não esteja excessivamente úmido ou molhá-lo se estiver seco. Para garantir aderência, as peças colocadas devem ter mais de 60% de sua face inferior preenchida com argamassa colante. A falta de atenção nesse item pode comprometer a qualidade e demandar retrabalho

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