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Visibilidade plena

31/Outubro/2002
Projeto de Franco & Fortes, o escritório da Alterbrain, em São Paulo, exige luminárias embutidas e iluminação indireta, soluções possíveis graças à altura do pé-direito e à modulação do forro

Não existem fórmulas. Mas deve-se garantir o controle de ofuscamento, buscar solução econômica, escolher luminárias compatíveis com o tipo de lâmpada e, acima de tudo, privilegiar o conforto


Em média, as pessoas passam um terço do dia no ambiente de trabalho. Num escritório, onde a maior arte desse tempo a atenção dos olhos é voltada para a tela de computadores, o ideal é que a iluminação alie conforto físico e psicológico. Além do próprio escritório, outros ambientes como recepção, hall de elevadores, corredores, sala de presidência, sala de reuniões e, mais recentemente, espaços para videoconferências, têm merecido cada vez mais atenção de arquitetos da área de iluminação.

A norma NBR 5413/82 determina os níveis de iluminação de interiores em lux e recomenda de 100 a 200 lux para a recepção, 500 a 1.000 lux para áreas operacionais, 200 a 500 lux para salas de diretoria e 500 a 1.000 lux para salas de reunião.

Mas obedecer à norma pode não ser suficiente. A arquiteta Esther Stiller afirma que três aspectos são fundamentais na realização de um projeto de iluminação: o conforto físico, o emocional e a questão econômica. O conforto visual é objetivo, pois obedece à interação entre a luz e a anatomia do olho. O conforto emocional é subjetivo, pois depende de preferências pessoais. Atender a este quesito é mais complexo, porque envolve o desenho dos ambientes, o posi-cionamento e tamanho das janelas, entre outros. O conforto visual deve ser máximo em todos os ambientes. Esther Stiller insiste, entretanto, que o conforto emocional é muito importante porque o local de trabalho é onde as pessoas passam a maior parte do tempo, mais até mesmo do que em casa.

Não existem fórmulas. Mas deve-se garantir o controle de ofuscamento, buscar solução econômica, escolher luminárias compatíveis com o tipo de lâmpada e, acima de tudo, privilegiar o conforto
Não existem fórmulas. Mas deve-se garantir o controle de ofuscamento, buscar solução econômica, escolher luminárias compatíveis com o tipo de lâmpada e, acima de tudo, privilegiar o conforto
Não existem fórmulas. Mas deve-se garantir o controle de ofuscamento, buscar solução econômica, escolher luminárias compatíveis com o tipo de lâmpada e, acima de tudo, privilegiar o conforto


Visibilidade plena
iluminação de escritórios
O arquiteto Gilberto Franco, do escritório Franco & Fortes, concorda com a colega Esther Stiller e ainda acrescenta que o aspecto subjetivo da iluminação procura traduzir o partido arquitetônico, identificar os ambientes e suas funções. "Hoje, o trabalho de iluminação é procurado porque valoriza a empresa, considerando que a qualidade do espaço é associada à da companhia" argumenta.

Assim, uma proposta dramática e cheia de efeitos é exatamente o oposto do que a iluminação para escritório deve ser. "A luz ideal para um ambiente de trabalho é aquela de um dia ligeiramente nublado", define Esther Stiller, "a pessoa não pode chegar todos os dias para trabalhar e se deparar com efeitos dramáticos, é cansativo". A arquiteta alerta, entretanto, que em um mesmo ambiente podem existir variações, desde que não sejam cansativas, e as estações de trabalho sejam respeitadas. Para quebrar a monotonia, as paredes situadas no fundo das salas podem servir de tela para desenhos formados pelas diferentes luminâncias.

Caso a área de trabalho não admita esse tipo de idéia, um ambiente de coffee break ou mesmo o hall de elevadores pode ser usado para uma brincadeira, com iluminação claramente distinta. O importante é evitar a mesmice. "Aqueles escritórios antigos são extremamente monótonos, exaustivos, desinteressantes e, portanto, depressivos e desestimulantes", enfatiza Esther.

Ao contrário do que ocorre nas áreas de circulação, as cores da superfície de mesas, painéis divisórios e armários têm pesomaior no rebatimento da iluminação do que a do piso. Para Esther Stiller, os pisos de cores médias são mais interessantes porque refletem a luz nas paredes. Revestimentos escuros não são indicados porque quebram de forma radical o tom entre parede e piso.

Quanto ao aspecto econômico, é preciso prever os custos de manutenção dos ambientes, afinal, o consumo de energia e a troca de lâmpadas exigem gastos constantes. "Especificar uma luminária inteligente, que renda maior fluxo luminoso, permite diminuir a quantidade de pontos de luz e, em conseqüência, o número de lâmpadas", raciocina Esther Stiller. A arquiteta argumenta que o investimento inicial vale a economia com manutenção durante a vida útil do escritório, em especial porque são áreas de uso contínuo e prolongado.

Espaços especiais
Outros locais que fazem parte do ambiente de escritório podem ter características bastante específicas e obedecer a outras regras quanto ao projeto de iluminação. Isso se aplica às salas de reunião, multimídia e videoconferência, recepção e hall de elevadores.

Responsável pela adaptação do projeto norte-americano de luminotecnia para o novo prédio do BankBoston, em São Paulo, Esther Stiller especificou luminárias com duas fluorescentes de 55W

O ambiente de recepção é o responsável pelo primeiro impacto para o visitante e deve refletir o caráter da empresa. "A possibilidade de transmissão dos conceitos da empresa é muito importante e deve responder a essa expectativa. As pessoaspermanecem pouco tempo na recepção, por isso também é que se permite brincar com a variação de luzes", garante Esther.

Nas salas de reunião e videoconferência - principalmente nesta última - precisa haver iluminação para variadas funções. "Quando se está discutindo em uma reunião, o plano da mesa e o rosto das pessoas são prioridade. Mas, para ser agradável, o ambiente não pode ter paredes escuras de fundo, para não causar desconforto e depressão", revela. Já uma video-conferência pede que a sala esteja escura na frente da tela e com luminosidade vertical no rosto das pessoas, para que não sejam criadas sombras marcantes. A área da mesa precisa ser clara, mas não pode ser muito brilhante. Em projeção de slides, deve haver pouca luz na mesa, o suficiente para permitir anotações, nenhuma luz na área da tela e um pouco de luz de fundo para dar noção de profundidade.

Luminárias pendentes e fluorescentes tubulares iluminam o ambiente de leitura localizado no edifício Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo. Projeto de Esther Stiller

O arquiteto Carlos Fortes, sócio de Gilberto Franco na Franco & Fortes, confirma que é preciso muito cuidado com o contraste em videoconferências. O nível de iluminação tem que atender a pré-requisitos que podem variar de acordo com o equipamento utilizado na projeção de imagens. Alguns precisam de maior quantidade de luz do que outros. Como a câmera tem sensibilidade ao contraste muito maior que a do olho humano, é recomendável cuidado, visto que a imagem é o mais importante para que a comunicação entre os conferencistas não seja prejudicada. Uma luz ruim pode dar uma impressão falsa da fisionomia das pessoas.

Outro ponto importante é que os programas de transmissão precisam ser muito rápidos e imagens carregadas, como uma parede repleta de efeitos de luz, tornam o processo de compactação e envio lento. Por isso, quanto menos informação, mais rápida será a transmissão.

Em outros ambientes, entretanto, a situação é oposta e o aspecto decorativo da iluminação é bem-vindo. "Em salas de presidência, por exemplo, é interessante introduzir luminárias com design mais elaborado, com peças visíveis, e não só prever as luminárias embutidas no forro", diz Gilberto Franco.
Para a recepção do BankBoston, Esther Stiller optou por lâmpadas de vapor metálicono lugar das halógenas previstas no projeto norte-americano. Fluorescentes compactas e lâmpadas PAR destacam telas de Portinari


AU leituras
www.philips.com.br
www.osram.com.br
Lighting Handbook, de Mark S. Rea, Iluminating Engineering Society of North America


Veja também:

  • sugestões de lâmpadas e luminárias


    Texto original de Vânia Silva
  • Veja também

    aU - Arquitetura e Urbanismo :: Tecnologia :: ed 241 - Abril de 2014

    Custos: sala de projeção

    Téchne :: Reportagem :: ed 205 - Abril de 2014

    Alternativa tecnológica