Avanços tecnológicos impulsionam a produção de novos elementos para fôrmas e equipamentos | PiniWeb

Tecnologia & Materiais

Avanços tecnológicos impulsionam a produção de novos elementos para fôrmas e equipamentos

Michael Rock, diretor técnico da SH, aponta as tendências em fôrmas verificadas na Bauma 2010, uma das principais feiras de equipamentos e máquinas para construção do mundo

Da redação
2/Junho/2010

"A Bauma - mais importante feira de equipamentos e máquinas para construção do mundo - reúne expositores de diversos países, mas são os alemães os que mais atraem a atenção. A tradição alemã na compra de equipamentos - a locação no país é um fenômeno recente - levou o país a experimentar grandes avanços tecnológicos, o que acabou por fortalecer não somente as empresas locais como também a relação do setor com o mercado internacional. Empresas de países que têm mais tradição de locação, como os Estados Unidos, por exemplo, têm menos interesse em equipamentos novos que podem tornar o estoque existente obsoleto ou gerar problemas de falta de compatibilidade. Aliás, poucas empresas do país participaram da feira, não só por causa do caos aéreo, mas, principalmente, por uma questão de foco.

Divulgação: SH Fôrmas, Andaimes e Escoramentos
Bauma 2010

O principal motivo da nossa visita à Bauma 2010 foi a busca por novidades para nossos clientes de locação no Brasil. Também fizemos contato com outros fornecedores, tais como os das áreas de equipamentos para reparos e limpeza. O mundo está ficando menor, as distâncias e diferenças tecnológicas também diminuem rapidamente. Não acreditamos que seja preciso inventar a roda novamente.

Mas ainda estamos longe de ter um padrão único. Existem diferenças culturais, estruturais, de custos e impostos diferenciados, qualificação e remuneração de mão-de-obra e até diferenças em métodos construtivos. Precisamos sempre usar o filtro "Brasil" para analisar quais novidades seriam adequadas às nossas necessidades.

Tendências

A Bauma 2010 teve na apresentação de novos elementos para as  linhas de produtos existentes o seu ponto forte. Mesmo sem lançamentos revolucionários, os avanços tecnológicos do setor puderam confirmar sua eficácia e atrair os olhares do mercado.

No ramo de formas para concreto, andaimes e escoramentos metálicos, as tendências mais expressivas apresentadas no evento foram:

Segurança: grande variedade de sistemas de proteção contra queda, guarda-corpos, redes de proteção e escadas de acesso, entre outros.

Plásticos como nova matéria-prima: já conhecida há dez anos, a Alkus, uma placa de matérias compostas que substitui o compensado nas formas moduladas, teve variações apresentadas por diversos fabricantes. Além disso, empresas mostraram painéis e acessórios totalmente fabricados em plástico.

Alumínio vira opção de matéria-prima: as empresas europeias também estão usando o alumínio na fabricação de escoras altas com carga admissível alta e também em vigas horizontais com excelente resistência e baixo peso. Porém, embora o aço continue sendo a matéria-prima preferencial, em função do menor custo, o alumínio está ganhando espaço em produtos nos quais a redução de peso é fator fundamental. O crescimento na utilização do alumínio se deve não somente às leis da Europa, que estabelecem limites de peso para manuseio, mas também em razão da facilidade na montagem.

Painéis de fôrma para concreto cada vez maiores: na busca de produtividade, substituindo mão de obra por equipamentos, empresas oferecem painéis cada vez maiores. Enquanto no Brasil a escassez e o alto custo de gruas favorecem painéis menores, que ainda podem ser manuseados diretamente pelo trabalhador, a Europa busca sistemas com menos elementos de ligação, menos pontos de ancoragens e menos peças no total. A empresa Harsco, dona da Hünnebeck, por exemplo, apresentou um painel para laje com 240cm x 270cm, que pode ser usado como mesa voadora.

Soluções para shafts: nas edições anteriores da Bauma já apareceram sistemas para concretagem de shafts que podem ser movimentados verticalmente sem a necessidade de desmontar tudo e remontar para a próxima etapa. Nesta edição da feira, muito mais empresas ofereceram esses equipamentos.

Sistemas modulados para lajes: antes limitadas a poucas empresas, apareceram desta vez mais lançamentos de sistemas modulados. Entre eles, algumas empresas que ainda resistiam a essa tendência. A solução tradicional utilizada na Europa, com vigas de madeira H20 e placas de madeira com espessura de 25mm, aparentemente está cedendo espaço a sistemas modulados com vida útil maior, com menos perda e resíduos, além de produtividade maior.

Painéis com face de aço: a maioria dos fornecedores aposta na combinação de estrutura de aço e face em compensado, opcionalmente substituído por plástico. Algumas empresas, porém, apresentaram sistemas totalmente de aço. O elevado peso e a dificuldade de consertar defeitos na superfície do aço podem ser compensados pela alta durabilidade e o custo menor, em obras nas quais a aparência do concreto não é fundamental e onde há disponibilidade de equipamentos de movimentação. Uma tendência que não chegará ao Brasil enquanto a movimentação de equipamentos nas obras for feita pela mão de obra, já que o peso só viabiliza seu uso com movimentação mecanizada.

Escoramento pesado: o uso de aço de alta resistência em conjunto com projetos mais sofisticados permite torres de carga mais econômicas. As torres de escoramento ficaram mais resistentes e pesadas. Sistemas pesados de alumínio também foram apresentados, mas não está claro se o mercado vai pender para o uso do alumínio ou do aço.

Padronização: andaimes modulados e de fachada oferecem cada vez mais soluções específicas no sistema, reduzindo a necessidade de soluções improvisadas em tubo e braçadeira na obra. Há vários sistemas intercambiáveis. A classificação pela norma europeia em classes de carga admissível ajuda na padronização. Isso já aconteceu antes com as escoras metálicas, quando as normas obrigaram as empresas a fabricar escoras com características similares que atendessem às cargas definidas previamente.

Maior variedade de empresas: além das grandes e renomadas empresas, esta edição da Bauma abriu espaço a empresas menores de todo o mundo, com linhas de produtos cada vez mais amplas. Houve até lista de espera e os organizadores do evento decidiram construir mais dois galpões temporários na área externa.

Novidades

O destaque de inovações está em áreas onde bons equipamentos ainda podem gerar ganhos de produtividade:

Obras de arte, obras pesadas, onde equipamento padrão não serve para soluções otimizadas.

Sistemas de formas modulados, que facilitam o dimensionamento e a execução da forma.

Sistemas de segurança, que tradicionalmente são executados a partir de madeira porque ainda não foram considerados importantes o suficiente para estudar soluções industriais.

Novas opções para o mercado brasileiro

Além de conhecer novos produtos, a Bauma é a oportunidade de encontrar parceiros, clientes, fornecedores e concorrentes. O clima da feira favorece a troca de experiências. Embora cada empresa tenha seus segredos, suas idéias específicas, percebi agora como já acontecera nas edições anteriores, uma boa hospitalidade e disposição para trocar ideias, independentemente de ter interesse comercial imediato.

Este ano, a participação de brasileiros e norte-americanos foi bastante prejudicada pelo cancelamento de vôos, problema provocado pela erupção de um vulcão na Islândia. Para fazer contato com empresas americanas, a World of Concrete, em Las Vegas, ainda é a melhor opção. Porém, a Bauma continua sendo o evento principal para quem tem interesse em conhecer as máquinas e equipamentos para a construção".

Michael Rock, diretor técnico da SH Fôrmas, Andaimes e Escoramentos