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Condomínios antigos contratam projetos de acréscimo de varandas

Construídas em concreto armado ou estruturas metálicas, obras são cada vez mais comuns em grandes cidades. Além dos desafios técnicos, intervenções exigem planejamento e conhecimento de legislações municipais

Juliana Tourrucôo e Renato Faria, da revista Téchne
7/Fevereiro/2013

Hugo Hamann
Valorização de bairros e busca por conforto motivam moradores a contratarem obras de acréscimo de varandas
O acréscimo de varandas em edifícios existentes é um fenômeno que vem ganhando importância nos últimos anos em cidades grandes no Brasil. Motivados pela valorização dos imóveis localizados em bairros consolidados ou simplesmente pelo conforto proporcionado pelo acréscimo de área privativa, os moradores se unem para contratar arquitetos e engenheiros capazes de lidar com os desafios técnicos desse tipo de intervenção.

O movimento tem se consolidado há dez anos no Rio de Janeiro, principalmente depois de uma resolução da Secretaria Municipal de Urbanismo que definiu, em 2005, as regras gerais para esse tipo de obra. Antes disso, era preciso obter autorização da prefeitura em regime especial. A cidade de Santos também modificou a legislação para viabilizar esse tipo de construção em 2008.

Como cada cidade tem seu próprio código de obras, uma das primeiras etapas do processo consiste em consultar a legislação municipal, indispensável para analisar a sua viabilidade legal.

Projeto
Os principais sistemas construtivos adotados são o concreto armado moldado in loco e as estruturas metálicas. As últimas vêm tendo maior penetração no mercado devido à velocidade de execução, à leveza da estrutura e à consequente redução de cargas nas fundações. Como são intervenções em edifícios residenciais já ocupados, também conta ponto a favor desse sistema construtivo a menor geração de resíduos, reduzindo os transtornos para os moradores e a vizinhança. Há, no entanto, quem prefira dispensar a estrutura metálica e adotar o concreto armado, como aconteceu no edifício Ronchamp, em Santos. "A ênfase no conceito de durabilidade levou à escolha da solução em concreto", afirma o engenheiro estrutural Clóvis dos Santos, responsável pela obra.  O engenheiro Ronoel Souto afirma que é possível obter um ganho de durabilidade nas estruturas metálicas em áreas litorâneas com o emprego de perfis de aço galvanizado.

Para evitar reforços nos edifícios existentes, as novas varandas são projetadas como uma estrutura à parte, com fundações e pilares próprios. "Usamos o prédio existente apenas para encostar a varanda, evitando a sua torção", explica Ronoel Souto. A fundação mais adotada nesse tipo de intervenção é a estaca raiz, já que a proximidade da estrutura existente não admite vibrações mais intensas.

O planejamento da obra deve envolver ainda a logística de entrega dos materiais e de movimentação vertical de materiais e trabalhadores. No caso das estruturas metálicas, explica Ronoel Souto, o prazo de fabricação das peças dura cerca de 50 dias. Como geralmente não há espaço na obra para estocar os elementos estruturais, eles são armazenados em um depósito e entregues na obra conforme a demanda.


Estrutura maciça
Marcelo Scandaroli

O concreto armado moldado in loco foi o sistema construtivo adotado na construção das 13 novas varandas do edifício Ronchamp, na orla de Santos (SP), em 2011. Segundo o engenheiro Clóvis dos Santos, responsável pela construção do prédio e autor da intervenção ao lado do casal de arquitetos Celina e Daniel Proença, foram tomados diversos cuidados para evitar o acréscimo de carga na edificação, evitando reforços na estrutura e nas fundações já existentes.  Por isso, detalha ele, projetaram-se novas fundações em sapatas, vigas e pilares estruturais, que juntos dão estabilidade às lajes externas, que medem 12,5 m x 2,5 m. A ligação entre as estruturas foi feita com parafusos de aço inox chumbados e placas verticais de neoprene para permitir apoios deslocáveis. O valor de cargas considerado no dimensionamento foi de 300 kgf/m².  Em um estágio final, aplicaram-se peitoril de vidro e, em toda a fachada, novos revestimentos (cerâmico com detalhes em granito). 


As instalações elétricas e hidráulicas, assim como os ramais de águas residuais, normalmente se conectam com as varandas por prumadas localizadas próximas ao pilar. Outra etapa importante é a da execução da impermeabilização, normalmente feita com mantas asfálticas, com atenção especial na região da junta. Em seguida, são executados os acabamentos e a instalação dos guarda-corpos.

Na etapa de instalação das esquadrias, quando a intervenção começa a ganhar forma, é bastante comum haver uma revisão dos serviços contratados. "Há obras que inicialmente preveem a simples substituição das esquadrias da sala, que darão lugar a portas novas. No decorrer da construção, o condomínio resolve aproveitar a ocasião e trocar todas as esquadrias da fachada, inclusive as janelas dos quartos", explica o arquiteto Hugo Hamann, do escritório carioca HCH Arquitetura e Planejamento, um dos pioneiros nesse tipo de intervenção. Muitos moradores também pedem a instalação de churrasqueiras no local, o que estende um pouco mais a duração dos trabalhos.

Assunto polêmico nos condomínios, o envidraçamento perimetral geralmente não é previsto no escopo do trabalho. Isso porque algumas legislações municipais são rigorosas em relação ao assunto, considerando a varanda "área computável" se o espaço for fechado. Ainda assim, após a entrega das obras, muitos moradores optam por assumir o risco e contratar à parte empresas de instalação de vidros nos apartamentos.

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