Especialistas destacam principais patologias precoces de obra em evento em São Paulo | PiniWeb

Tecnologia & Materiais

Especialistas destacam principais patologias precoces de obra em evento em São Paulo

Seminário da PINI discutiu defeitos precoces em estruturas, revestimentos, alvenaria e fechamentos

Paulo Kiss
28/Junho/2012

Marcelo Scandaroli
Em seminário realizado pela PINI no Hotel Renaissance em São Paulo na última terça-feira (26), cerca de 350 profissionais de todo país ouviram de especialistas os conselhos para evitar os principais problemas de obra que acometem o setor desde o boom imobiliário.

Em meio à corrida para dar conta da multiplicação dos empreendimentos, agravada pela falta de mão de obra, diversas construtoras em todo país enfrentam um número elevado de reclamações por defeitos precoces de obra. O seminário organizado pela PINI debateu os problemas observados recentemente na execução de estruturas, fechamentos internos e externos, revestimentos e outras etapas da obra.

O pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT-SP) e professor Ercio Thomaz enumerou e classificou uma série de problemas como desagregação do concreto; abertura de fôrmas provocando bicheiras; uso de lajes muito delgadas expondo armaduras de fundo e outros problemas. "A racionalização excessiva do processo estrutural debilitou muito, em alguns casos, o desempenho das estruturas, expondo problemas precoces gravíssimos", alerta o pesquisador. "Depois do boom e a pressa em entregar os empreendimentos, com ciclos de concretagem pouco racionais, esses problemas se agravaram bastante", diz.

A também professora Mércia Bottura de Barros, especialista em revestimentos de fachada, deu ênfase à importância do planejamento para evitar problemas nessa que é uma das etapas mais críticas da obra. "A alvenaria está quase vitrificada tal a perfeição dos blocos, mas todo mundo esquece que a argamassa de revestimento depende de um bom preenchimento dos seus vasos capilares para garantir essa aderência", alerta Mércia.

Em sua palestra, a professora mostrou um vídeo rápido sobre os diferentes índices de absorção de água em blocos de concreto, sílico-calcário e cerâmico. "A maioria dos problemas poderia ser evitada com um planejamento correto que levasse em conta a capacidade de aderência dos substratos, absortância de água, condições ideias de lançamento da argamassa, ciclos seguros de trabalho com respeito às fases de preparação da fachada e, sobretudo, uma cura adequada do revestimento. "Quem aqui faz cura de revestimento de fachada?", ouvindo um sonoro silêncio da plateia.

A professora alertou também para a compra de argamassas de catálogo (argamassas prontas) sem um relacionamento técnico com o fornecedor. "Fabricante que fala em desempenho de argamassa já começou errado; quem ter que desempenho é o revestimento, e isso nós só vamos saber depois de aplicado e curado.

Alvenarias e vedações com drywall

O projetista Luiz Sérgio Franco foi um dos mais procurados após sua apresentação. Os problemas com a alvenaria figuram no topo dos problemas mais recorrentes nas obras recém-entregues. A partir da distinção entre "paginação de alvenaria" e "projeto de alvenaria", Franco lembrou a necessidade de ir além da coordenação modular, atendo-se a pontos mais críticos como o da junta alvenaria-estrutura; uso de blocos de dimensões corretas que permitam às alvenarias trabalharem dentro de deformações previstas e absorvíveis pelos revestimentos; uso de técnicas mais modernas de preenchimento de vãos estrutura-alvenaria, com argamassas expansivas corretas e também cuidados especiais com alvenarias de último pavimento, devido às dilatações mais intensas.

O pesquisador Cláudio Mitidieri, do IPT-SP, abordou os defeitos de execução em paredes simples e duplas de drywall. Segundo ele, ainda cometem-se erros básicos como o uso de placas simples (sem capacidade impermeável) em áreas molháveis como boxes e áreas com contato externo. Falou também dos rebaixos e proteções necessárias de impermeabilização nos cantos inferiores das placas.

As fotos mostradas por Mitidieri destacaram sobretudo os defeitos de amarração de montantes e guias; falta de espaçamento para instalação das placas; sobreposição errada nos montantes e, principalmente, uso de perfis e parafusos sem adequada classe de galvanização.

Mapeamento e assistência preventiva

O engenheiro responsável pela área de assistência técnica predial da Schahin, Guilherme Castelo Branco, engenheiro civil pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestrando em habitação pelo IPT-SP apresentou o resultado de um levantamento realizado em 15 obras da construtora dentro do prazo de garantia de cinco anos. Instalações hidráulicas e elétricas lideram o ranking de chamadas, às vezes com problemas simples como falta de vazão de ralos até quedas de pressão adequada de uso.

As estatísticas apresentadas por Guilherme mostram que os chamados batem em 70% no primeiro ano e decrescem à razão de de25% a cada ano, à medida que também muda o foco do chamado. Ao final da garantia, boa parte dos chamados refere-se a problemas com impermeabilização.

Elogiado pela atitude aberta e positiva de contribuir para a identificação das patologias, Guilherme apresentou um modelo de acompanhamento preventivo dos defeitos e de retroalimentação em obra para basear a execução dos serviços mais críticos.

Seminários PINI agora online

Os profissionais que não puderam comparecer ao seminário terão a oportunidade em breve de assistir ao evento na íntegra no novo serviço Seminários WEB PINI. Já estão disponíveis na loja para compra os seminários: "Concreto, Estruturas e Fechamento", realizado em São Paulo, e "Tecnologia, Desempenho e Sustentabilidade", realizado em Manaus. A PINI dispõe de preços especiais para assinantes. O login permite até quatro visualizações do seminário num período de 60 dias. A transmissão obedece ao mesmo formato do evento presencial. O comprador do seminário vê e ouve a palestra na íntegra e pode acompanhar, em um campo da tela, a apresentação do power point.