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Eternit afirma que proibição do amianto causará problemas de abastecimento no mercado

Presidente da empresa declara que setor vai trabalhar para esclarecer diferenças entre tipos de amianto e que Eternit não vai mudar seus planos de expansão diante do veto ao uso da matéria-prima

Rafael Frank
13/Junho/2008

A Eternit encarou duas situações difíceis em junho. A primeira foi a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), no dia 04, de suspender a liminar que anulava a lei contra o uso do amianto crisotila no Estado de São Paulo (clique aqui para saber mais). A segunda aconteceu no dia seguinte, com a queda das ações da empresa, cuja depreciação chegou a 35%. Agora há quatro Estados com leis contra o uso do amianto: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Após uma semana da ocorrido, o presidente da Eternit e Diretor de Relações com Investidores, Élio A. Martins, declara que o setor vai se empenhar em esclarecer à sociedade que não há estudos comprovando o perigo do amianto crisotila e que os atuais processos produtivos eliminam os riscos. Martins também afirmou que a empresa vai manter os investimentos de R$ 35 milhões até janeiro de 2009 para expansão de sua produção.

A queda da liminar que possibilitava a comercialização do fibrocimento em São Paulo provocou uma grande mudança no mercado da Eternit. Qual a representatividade nos negócios?
O Estado de São Paulo consome 15% dos produtos acabados da Eternit e 8% de amianto crisotila, extraído de nossa subsidiária Sama. Houve grande surpresa no setor com a decisão. Até aquele momento não havia sinais que indicassem a queda da liminar. Ações judiciais movidas anteriormente já tinham constatado a inconstitucionalidade da lei paulista. A discussão deveria se ater à constitucionalidade, não sobre o uso do amianto. A USP (Universidade de São Paulo), a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) estão realizando um estudo sobre o amianto crisotila e isso nem foi considerado para a tomada da decisão. Agora, estamos aguardando o julgamento de mérito.

O setor apenas aguardará o julgamento ou tomará alguma medida?
O melhor trabalho é tratar com transparência o assunto, oferecer elementos para a sociedade. Há diferenças entre o crisotila e o anfibólio.

Qual a sua visão do mercado com a possibilidade da proibição do amianto crisotila em todo o território brasileiro?
Acredito que se criou um problema para o Brasil. O país deverá consumir 250 mil m² de produtos. Se a matéria-prima utilizada for o amianto, são utilizadas 170 mil toneladas. Já em fibras alternativas, 60 mil toneladas. No atual ritmo, estima-se que seriam necessárias 100 toneladas nos próximos quatro anos. Apesar do número menor, não há fibras sintéticas disponíveis no mercado, mesmo que internacionalmente.

Não há substitutos disponíveis. Anteriormente, já anunciei a possibilidade de problemas no abastecimento. Se o amianto for proibido em todo o Brasil, haverá desabastecimento em larga escala. Os custos de produção são entre 30% a 60% maiores, o consumidor da baixa renda não conseguirá absorver esse aumento facilmente. Essa proibição veio no pior momento para o brasileiro que precisa de opções para construir.

Há também a questão dos investimentos nos parques fabris e o fato de que a própria OIT (Organização Internacional do Trabalho) não determina os riscos dessas fibras. Proibir o uso do amianto, então, não significa eliminar um risco. Não há registro de empregados doentes da Eternit contratados a partir de 1980. Depois disso, houve grande mudança nos processos. Antes disso, não havia conhecimento científico, nem legislação, usamos até mesmo o anfibólio que até então não era tido como nocivo.

A Europa inteira foi reconstruída no pós-guerra com amianto anfibólio, depois de cerca de 30 anos começaram a aparecer os doentes e se constatou o perigo. Ela concedeu cinco anos para as empresas se adequarem. Apenas a França, que possui grandes fabricantes de fibras sintéticas, baniu imediatamente.

Houve uma expressiva queda das ações da empresa. Enquanto Diretor de Relações com Investidores, qual a sua posição? A Eternit deve rever seus investimentos?
A queda das ações foi uma ação emocional do mercado. As perdas por essa baixa não serão proporcionais nos resultados. O mercado verá isso no segundo trimestre. Não alteraremos os planos de expansão. Nosso parque está preparado para ser polivalente. Entretanto, haverá um grande problema se isso for feito de forma imediata.

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